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:: :: :: : ÉRIKA LIPORACI : :: ::: :::: ::::: :::: ::: :: :
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FILME: Casa Negra ORIGINAL: Geomeun Jib PAÍS/ANO: Coréia do Sul, 2007
DIRETOR: Shin Terra DURAÇÃO: 103min
ELENCO: Hwang Jung-min, Yu Sun, Kang Shin-il, Kim Seo-hyung. NOTA: 6,0
Mostra Midnight Movies

CASA NEGRA

Juno, um funcionário recém-contratado de uma companhia de seguros, é enviado à casa de um cliente, Park Chung-bae. Chegando lá, Juno testemunha o momento em que Park encontra o filho de sete anos morto. Embora a polícia considere o caso como suicídio, Juno desconfia que o pai assassinou o menino para receber o seguro. Por conta própria, começa a investigar Park. Ele está certo de que aquilo só pode ser obra de um psicopata, o que põe sua própria vida em risco.

Conforme todo fã de cinema trash sabe, determinados filmes são tão toscos que isso chega ao ponto de se tornar uma qualidade. Casa Negra tem alguns dos diálogos mais inacreditáveis que eu já ouvi na minha vida. Imaginem um homem adulto, supostamente inteligente, que responde à pergunta “você sabe o que é um psicopata?” com um sincero e sonoro não. Segue-se uma explicação (séria) sobre o que é um psicopata, ao que nosso personagem pergunta qual a diferença deles para os “loucos”, e tudo culmina com declarações do tipo “psicopatas também são gente”. Acreditem, o carinha é poliana total. Esse diálogo memorável dá apenas uma pálida idéia do grau de insanidade do filme.

Casa Negra é um filme totalmente “sem noção”, que se transforma em terrir involuntário – o que só torna tudo ainda mais engraçado. As cenas que deveriam dar sustos provocam risadas incrédulas. A julgar pela platéia, podia-se ter a impressão de estar assistindo a um filme do Monty Python. E olha que foi a última sessão de um exaustivo dia, só mesmo um samba do crioulo doido que nem esse pra arrancar risadas e aplausos à meia-noite. É tão ruim que é bom.

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FILME: Rock'n'Rolla - A Grande Roubada ORIGINAL: Rock’n’Rolla PAÍS/ANO: Reino Unido, 2008
DIRETOR: Guy Ritchie DURAÇÃO: 114min
ELENCO: Gerard Butler, Tom Wilkinson, Thandie Newton, Idris Elba NOTA: 7,5

Foco UK

Rock'n'Rolla – A Grande Roubada

Em Londres, um chefão da máfia russa e o manda-chuva do submundo londrino estão às voltas com uma transação que envolve milhões de libras e um poderoso jogo de influências. Entre os dois, um trio de vigaristas de aluguel, uma contadora de moral dúbia, um astro do rock doidão, traficantes, ladrões, políticos, enfim, não há um malandro da cidade que não acabe enrolado nesse confronto milionário.

Guy Ritchie fez dois filmes muito bacanas em sua carreira: Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998) e Snatch – Porcos e Diamantes (2000). Os dois são bem parecidos, mas é bem melhor lembrar o cineasta inglês por esses dois longas quase gêmeos do que pela bomba Destino Insólito, filmeco que ele dirigiu só para agradar à sua senhora Madonna. A má notícia sobre este Rock'n'Rolla é que é o filme não passa de uma variação da fórmula dos dois sucessos anteriores de Ritchie. Mas a boa notícia é que o filme é tão bom quanto eles.

A trama é a de sempre: trapaceiros tentando se enganar mutuamente, o eterno jogo de ladrão roubando ladrão, grandes boladas, mulheres fatais, malandros sexys (Gerard Butler está cada vez mais de tirar o sono), tudo isso formatado com bom ritmo e uma edição esperta. Os diálogos são ligeiros, cheios de humor tipicamente britânico e trocadilhos inteligentes. Um ótimo passatempo, difícil não se divertir.


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FILME: Delta ORIGINAL: Delta PAÍS/ANO: Hungria / Alemanha, 2008
DIRETOR: Kornél Mundruczó DURAÇÃO: 92min
ELENCO: Félix Lajkó, Orsolya Tóth, Lili Monori, Sándor Gáspár. NOTA: 5,0

Mostra Panorama

DELTA

Rapaz retorna à sua terra natal no Delta do rio Danúbio, após anos de afastamento da família. Descobre que a mãe se casou novamente e que tem uma irmã, mas, como não encontra boa acolhida, se instala na cabana que fora de seu pai. Logo a tímida irmã vai viver com ele e ajudá-lo na casa que ele está construindo no meio ao rio. Não demora para que o relacionamento dos irmãos comece a atrair a ira dos moradores da região.

O filme tem alguns pontos positivos, como o bom aproveitamento dos cenários rústicos e da parte visual em geral. É um filme rico de imagens, o que é realçado pela expressividade calada de Orsolya Tóth. Já Félix Lajkó (que, curiosamente, é mais compositor de trilhas do que ator) deixa a desejar na atuação e comparece apenas com seu rosto bonito.

Esse ano, em Cannes, o diretor húngaro Kornél Mundruczó concorreu à Palma de Ouro e venceu o prêmio Fipresci por esse filme. A maior fraqueza de Delta vem da timidez com que aborda o tema principal (incesto), como se estivesse envergonhado pelos personagens. Um exemplo disso é a cena em que a moça sofre uma violência, que parece estar ali para chocar e/ou justificar suas ações posteriores. Tampouco há um desenvolvimento psicológico dos personagens, o que faz falta considerando a temática proposta.

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FILME: 14 Kilômetros ORIGINAL: 14 Kilómetros PAÍS/ANO: Espanha / 2007
DIRETOR: Gerardo Olivares DURAÇÃO: 95min
ELENCO: Adoum Moussa, Illiassou Alzouma, Aminata Kanta. NOTA: 3,0
Mostra Expectativa

14 KILÔMETROS

O título se refere à distância que separa a África da Europa e o filme é sobre a saga de africanos de diferentes países que tentam alcançar uma vida melhor em solo europeu, pondo em risco a própria vida – uma trajetória bem parecida com a do pessoal que tenta entrar nos EUA através do deserto mexicano. Violet tenta fugir da miséria e do noivo idoso para o qual foi vendida. No caminho conhece os irmãos Buba e Mukela, que sonham com oportunidades melhores para o talento futebolístico de Buba.

O filme tem um começo bem arrastado. Depois da primeira meia hora, o ritmo melhora. O que não tem jeito é a irritante dublagem em espanhol, já que não existe uma justificativa lógica para ter que ouvir os atores africanos falando um espanhol dos mais clássicos. Se o filme, por alguma razão mercadológica, precisava ser falado no idioma, seria algo tão impossível assim encontrar atores negros que o falassem? O resultado não poderia soar mais falso, já que a dublagem (mal-sincronizada, ainda por cima) prejudicou não apenas os diálogos mas também o som do filme como um todo. Creiam-me: depois de um certo tempo, torna-se uma tortura para os tímpanos mais sensíveis.

O filme? Claro que poderia ser melhor com um som decente, mas também não é nenhum primor de originalidade. Aposta na fórmula da força de vontade vencendo barreiras quase intransponíveis e tenta comover através do embate entre jovens indefesos e autoridades corruptas e/ou insensíveis.


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