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:: :: :: : ÉRIKA LIPORACI : :: ::: :::: ::::: :::: ::: :: :
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FILME: Mataram a Irmã Dorothy ORIGINAL: They Killed Sister Dorothy PAÍS/ANO: EUA, 2008
DIRETOR: Daniel Junge DURAÇÃO: 94min
GÊNERO: DOCUMENTÁRIO NOTA: 7,5
Mostra Dox

MATARAM A IRMÃ DOROTHY

Documentário focado no julgamento dos envolvidos no assassinato da missionária Dorothy Stang, ocorrido no Pará em 2005. Realizado pelo americano Daniel Junge, o filme acompanha os bastidores do julgamento dos pistoleiros - e, posteriormente, de um dos mandantes – e entrevista testemunhas, advogados, trabalhadores, fazendeiros e autoridades, além de exibir imagens em vídeo da vítima.

O filme começa por situar o espectador nos detalhes do caso, o que certamente é um pouco redundante para o público brasileiro, que já está a par do que aconteceu, porém necessário para outras platéias. Estabelecidos os fatos, o longa começa a acompanhar bem de perto o circo do julgamento. Do lado do Estado, um promotor bem-intencionado; do lado dos fazendeiros acusados, toda uma equipe de advogados diabólicos. Não precisa ser nenhum profundo conhecedor da natureza humana para olhar nos olhos daqueles homens e ver que são escroques da pior qualidade. Debochando das autoridades, exibindo seu status privilegiado, intimidando testemunhas, exalando corrupção e impunidade. É um espetáculo. No mau sentido.

Com um roteiro esperto, que mescla imagens da própria Dorothy Stang prevendo seu assassinato com depoimentos de todos os envolvidos – dando voz a todos os lados da questão –, Daniel Junge conseguiu realizar um documentário tão vibrante e cheio de emoções que por vezes passa a sensação de ser uma obra ficção. Parece até um daqueles filmes de tribunal baseado em obras do John Grisham. Prestem atenção no modo como os advogados de defesa dos assassinos usam o fato de dois agentes do FBI terem acompanhado o caso em seu proveito, tentando desviar o foco de um assassinato para delirantes questões relativas à soberania nacional. Caramba! Acho que nem a imaginação de John Grisham iria tão longe.

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FILME: Derek ORIGINAL: Derek PAÍS/ANO: Reino Unido, 2008
DIRETOR: Isaac Julien DURAÇÃO: 76min
ELENCO: NOTA: 4,0

Foco UK

DEREK

O filme tem como ponto de partida uma carta intitulada Letter to an Angel, que a atriz Tilda Swinton escreveu em homenagem ao cineasta Derek Jarman oito anos após sua morte (em 1994). Neste documentário, somam-se ao texto de Tilda depoimentos de Derek em várias fases de sua carreira e trechos de seus provocadores trabalhos.

Um filme indicado para quem aprecia o trabalho do cineasta, mais direcionado a quebrar convenções e chocar o establishment do que propriamente fazer cinema. Apesar das homenagens emocionadas, o que mais incomoda é a própria figura do homenageado, pródigo em ditar regras sobre o que é ou não é arte e mais pródigo ainda em contradizer seus próprios mandamentos. Para quem se posicionava contra os preconceitos, me parece um comportamento bem reacionário. Um exemplo de suas incoerências é quando ele categoricamente ataca os diretores de videoclipes e alguns anos depois ele próprio dirige um (It's a Sin, do Pet Shop Boys). Claro que o diretor teve sua importância no movimento de contra-cultura de sua época, mas o filme acaba sendo um produto que fala de um universo bastante restrito.

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FILME: Boogie ORIGINAL: Boogie PAÍS/ANO: Romênia, 2008
DIRETOR: Radu Muntean DURAÇÃO: 102min
ELENCO: Dragos Bucur, Anamaria Marinca, Mimi Branescu. NOTA: 5,0

Mostra Expectativa

BOOGIE

Bogdan é um trintão que leva uma vida responsável: trabalha arduamente, é casado, tem um filho de quatro anos e está prestes a ser pai novamente. No feriado do trabalho, viaja com a esposa e o filho para o litoral e lá encontra dois amigos que não vê há três anos. Eles continuam solteiros e logo despertam em Bogdan – Boogie, para eles – uma certa nostalgia dos seus tempos de farra e irresponsabilidade. Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2008.

O filme trata de um tema interessante e muito próximo de todos nós: o dilema das pessoas que assumem responsabilidades adultas antes de estarem completamente prontas para deixar para trás a vida de solteiro. Os conflitos de Boogie com a esposa são mostrados logo na cena de abertura, na praia. É como se ela fosse a mãe de dois meninos, o que fica ainda mais gritante quando ele decide entrar no mar gelado só porque viu um grupo de jovens fazendo o mesmo. Boogie, ao contrário do filho, é a criança que ela não pode controlar. Os amigos solteiros demonstram o típico egoísmo daqueles que têm as próprias vidas desestruturadas e, na primeira chance, dão um jeito de bagunçar o relacionamento alheio. Mas os problemas decorrentes do encontro são responsabilidade do próprio protagonista, que parecia esperar tão-somente uma deixa para se comportar daquela maneira.

O problema com o filme é seu ritmo lento, que acaba por diluir uma questão relevante em cenas alongadas muito além do necessário e cansando a paciência do espectador em uma hora e quarenta minutos que parecem durar muito mais do que isso. O roteiro tampouco dá foco à história, criando situações desnecessárias que prometem desdobramentos que não ocorrem. Um exemplo é o flerte de Boogie com a moça que anota seu celular, cena que cria uma expectativa e não gera nenhum conflito mais adiante. E o desfecho sem sal deixa o espectador sem saber o que, exatamente, o diretor pretendia dizer com a história.

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