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:: :: :: : ÉRIKA LIPORACI : :: ::: :::: ::::: :::: ::: :: :
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FILME: Sobre o Tempo e a Cidade ORIGINAL: Of Time and the City PAÍS/ANO: Reino Unido, 2008
DIRETOR: Terence Davies DURAÇÃO: 74min
ELENCO: NOTA: 5,0
Foco UK

SOBRE O TEMPO E A CIDADE

Retrato personalíssimo de Liverpool através das décadas realizado pelo cineasta Terence Davies, que viveu na cidade até os 28 anos. Passeando por cenários reais e idealizados, mesclando passado e presente, Davies discorre sobre religião, sociedade, sexualidade, costumes, cultura, poesia etc.

Trata-se de um filme belíssimo e muito poético, porém um pouco cansativo. Certamente Davies poderia ter realizado um curta magistral, mas sua opção pelo longa-metragem acaba obrigando-o a rechear mais o filme e nem todas as imagens têm a mesma força. Ainda assim, o longa encanta pela afetividade com que um cidadão apaixonado declara seu amor pela terra natal.

Em favor do filme, cabe esclarecer que o assisti no final da noite, após duas outras produções muito ruins. Talvez minha percepção não estivesse das melhores.

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FILME: Meu Marlon e Brando ORIGINAL: Gitmek PAÍS/ANO: Turquia / Holanda / Reino Unido, 2008
DIRETOR: Hüseyin Karabey DURAÇÃO: 92min
ELENCO: Ayça Damgaci, Hama Ali Kahn, Nesrin Cavadzade NOTA: 2,0

Mostra Expectativa

MEU MARLON E BRANDO

Dramatização da história real de uma atriz turca que se apaixona por um ator curdo quando este vem ao seu país participar de um filme e sua posterior dificuldade para reencontrá-lo, já que o romance ocorre na época em que os americanos invadem o Iraque e fecham as fronteiras do país. Vencedor do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Tribeca de 2008.

Um filme chatíssimo, onde nada realmente acontece. A protagonista passa metade de seu tempo manifestando seu desejo de encontrar o amado e a outra metade discutindo com ele ao telefone, comportando-se como se fosse culpa dele o fato de seu país estar em guerra. Quando ela resolve agir, espera-se que a história ganhe algum fôlego ou dramaticidade. Que nada. E tome viagens em taxi, em ônibus, em vans. E mais telefonemas. E imagens de vídeo que são gravadas para ninguém ver, salvo o espectador. A sensação de estar rodando em círculos é inevitável. Para não dizer que não existe nada aproveitável na trama, o poema que dá significado ao título é interessante.

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FILME: Rio Congelado ORIGINAL: Frozen River PAÍS/ANO: EUA, 2008
DIRETOR: Courtney Hunt DURAÇÃO: 97min
ELENCO: Melissa Leo, Misty Upham, Michael O'Keefe, Mark Boone Junior, Charlie McDermott NOTA: 6,0
Mostra Expectativa

RIO CONGELADO

Ray Eddy está vivendo seu inferno astral: acaba de ser abandonada pelo marido, que gastou no jogo o dinheiro destinado a comprar a casa da família e o que ela ganha em um emprego de meio expediente mal dá para alimentar os dois filhos. É quando seu caminho cruza com o de Lila Littlewolf, uma índia Mohawk que traz imigrantes ilegais através de um rio congelado que separa o Canadá dos EUA e faz parte da reserva de seu povo. Inimigas a princípio, as duas mulheres se unem no arriscado e rentável negócio.

Rio Congelado recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance deste ano. Cada vez entendo menos certas premiações concedidas. É um filme razoável, mas que não chega alcançar grandes vôos em nenhum momento. As interpretações são boas, o roteiro é bem conduzido (salvo uma ou outra situação), enfim, é uma história bem contada. Mas de modo bastante previsível, sem nenhuma reviravolta nos acontecimentos e com um final que o espectador consegue adivinhar tão logo as bases da trama são estabelecidas.

Em termos de Festival, é o tipo de filme curto que acaba sendo uma boa pedida para encaixar no meio de uma brecha programação.

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FILME: As Águas de Katrina ORIGINAL: Trouble The Water PAÍS/ANO: EUA, 2008
DIRETOR: Tia Lessin, Carl Deal DURAÇÃO: 94min
ELENCO: Dragos Bucur, Anamaria Marinca, Mimi Branescu. NOTA: 0,0

Mostra Dox

AS ÁGUAS DE KATRINA

Documentário realizado a partir das imagens amadoras que Kim, uma moradora de uma das regiões mais afetadas de Nova Orleans pelo furacão Katrina, registra com sua câmera. Depois da tragédia, ela seguirá filmando a dificuldade dos moradores em arrumar abrigo e o descaso das autoridades perante os necessitados.
Para começo de conversa, é difícil não se sentir nauseado na primeira meia hora de filme, já que Kim não tem a mínima noção de como operar uma câmera. Imagem trepidante, granulada, desfocada, escura, enfim, imaginem qualquer problema de gravação que ele estará nessas imagens. Também incomoda a postura da moça, que logo nos primeiros minutos, em meio à devastação e desgraça, declara sua intenção de ganhar dinheiro com o que está filmando. Impressiona (no mau sentido) seu sangue-frio de continuar registrando tudo obsessivamente, mesmo quando está ilhada com os vizinhos no telhado sem sinal de resgate à vista.

Uma vez livres do perigo, o filme continua seguindo Kim e o marido (a essa altura a imagem melhora, já que ela aparentemente conseguiu alguém para bancar o cameraman). Mas, a despeito do alívio para as retinas, é justamente a partir daí que o filme afunda de vez, já que perdeu seu único atrativo real: imagens de primeira mão do desastre. E claro que nossa estrela não perde uma chance de se auto-promover, posando de boa samaritana e recebendo elogios dos amigos diante da câmera. Pior do que isso só as constantes pregações e invocações religiosas, o que contrasta com as declarações do marido traficante sobre o estilo de vida nada ortodoxo que eles levavam.

O que fica evidente é que trata-se de um filme feito a partir de um material amador e gravado por uma pessoa oportunista, que culmina em uma apresentação de seu trabalho como cantora e compositora de rap. Era nesse ponto que Kim queria chegar desde o começo, já que até nome artístico ela tinha. Pesadelo é saber que um filme eticamente canalha e tecnicamente deplorável como esse venceu o Grande Prêmio do Júri de Documentário no Festival de Sundance de 2008.


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