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| » especial | festival do rio 2008 |

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:: :: :: : ÉRIKA LIPORACI : :: ::: :::: ::::: :::: ::: :: : |
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| .: Acesse outros críticos .: |
| FILME: A Mulher sem Cabeça |
ORIGINAL: La Mujer sin Cabeza |
PAÍS/ANO: Argentina / Espanha / França / Itália, 2008 |
| DIRETOR: Lucrecia Martel |
DURAÇÃO: 87min |
| ELENCO: Maria Onetto, Claudia Cantero, César Bordon, Daniel Genoud. |
NOTA: 6,5 |
| Mostra Dox |
A MULHER SEM CABEÇA
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Verónica está dirigindo em uma estrada deserta quando sente que atropelou algo, mas segue em frente sem conferir o que aconteceu. O problema é que ela não consegue tirar o fato da cabeça e, pouco a pouco, se convence de que matou alguém. Quando ela revela a seu marido o que a atormenta, eles retornam ao local e nada encontram. Ainda assim, ela não consegue se livrar da certeza de ter cometido um crime. Selecionado para o Festival de Cannes 2008.
Este é o terceiro longa de Lucrecia Martel, embora ela tenha o currículo engordado por alguns curtas e trabalhos para a TV. E é impressionante a fama que a diretora argentina alcançou com apenas dois filmes, O Pântano (2001) e A Menina Santa (2004). também chama a atenção sua maturidade artística, expressa em filmes originais e plenos de significados ocultos – Lucrecia também é roteirista de seus longas.
Considerando isso, creio que A Mulher sem Cabeça seria melhor apreciado não fosse a alta expectativa por se tratar de um longa de uma cineasta já consagrada. Claro que está longe de ser um filme ruim; pelo contrário, tem momentos em que a direção de atores cria imagens quase sublimes. Mas, como um todo, não me causou uma impressão tão forte quanto os dois filmes anteriores de Martel. A relação familiar entre as personagens é solta, pouco definida. O roteiro, ao se alinhar com a sensação de alienamento que ataca a protagonista, por vezes parece se alienar do espectador também. O filme é todo uma viagem interior de Verónica, que certamente não sente aquela necessidade de se auto-punir apenas por causa da impressão de ter atropelado alguém.
O destaque é María Onetto, que interpreta Verónica. A atriz, que tem um tipo que lembra a grande dama do cinema espanhol Marisa Paredes, consegue transmitir todo um leque de emoções com uma economia de gestos e expressões que é fascinante. Outra curiosidade é Inés Efrón, revelada como a hermafrodita de XXY, em outro papel andrógino.
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| FILME: Liverpool |
ORIGINAL: Liverpool |
PAÍS/ANO: Argentina / Holanda / França / Espanha / Alemanha, 2008 |
| DIRETOR: Lisandro Alonso |
DURAÇÃO: 84min |
| ELENCO: Juan Fernández, Giselle Arrazabal, Nieves Cabrera. |
NOTA: 0,0 |
| Mostra Latina |
LIVERPOOL
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Fica até difícil escrever uma sinopse de um filme onde nada acontece. OK, vamos lá: um marinheiro desce de seu navio numa cidade argentina para procurar a família. Chegando lá, reencontra a mãe doente e seu marido (é pai dele?) e mais uma irmã. E fica por lá, sem explicar porque chegou nem se pretende ir embora. Filme todo contemplativo, com planos longuíssimos e montagem lenta. Um tédio, com um roteiro (que roteiro?) que parte do nada e chega a lugar nenhum. O longa se limita a seguir a rotina de pessoas que praticamente não falam e tampouco fazem alguma coisa digna de nota. Conflito? Que conflito? Acompanhamos as refeições, a mãe doente na cama, a lavoura, a neve, o tédio, o sono – este último do espectador. Dava para ouvir os roncos na sala de projeção. Eu mesma, que não costumo dormir por mais arrastado que seja o filme, dei umas boas cabeceadas. Citando o mestre Billy Wilder, o pior pecado de um filme é ser chato. O mais incrível é que o filme tem pouco mais de uma hora e vinte. Mas você sai da sala de projeção moído como se tivesse visto a trilogia Senhor dos Anéis de uma vez só e sem intervalo.
Por que o filme se chama Liverpool? A explicação não poderia ser mais tosca.
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| FILME: Inútil |
ORIGINAL:Wuyong |
PAÍS/ANO: China, Hong Kong, 2007 |
| DIRETOR: Jia Zhang-Ke |
DURAÇÃO: 81min |
| ELENCO: Nicolas Bro, Pimwalee Thampanyasan, Petch Mekoh, Natee Srimanta |
NOTA: 2,5 |
| Mostra Panorama |
INÚTIL
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Documentário enfocando a indústria têxtil chinesa, das fábricas de tecido às costureiras simples, passando pela história de uma estilista que apresenta uma moda não-comercial e manufaturada intitulada Wu Yong (Inútil). Prêmio de Melhor Documentário na Mostra Orizzonti do Festival de Veneza 2007.
A primeira estranheza do filme é ter uma enorme sequência de apresentação que dura cerca de quinze minutos – sem diálogos – e faz um passeio por uma indústria de tecidos. Abertura inusitada para um documentário. Depois, somos apresentados a alguns temas e discussões que deveriam gerar material de interesse, como, por exemplo, o fato da China produzir em grande escala a moda de grifes estrangeiras mas não possuir grifes próprias. Uma estilista explica o paradoxo dizendo que seu povo não costuma ser visto como criativo e sim como mão-de-obra para a criatividade alheia.
Uma pena que Inútil logo abandone essa interessante discussão e se desdobre em visões superficiais e mal exemplificadas, o que faz com que a atenção do espectador se disperse. De repente, o filme começa a mostrar vários personagens, mas não se detém satisfatoriamente em nenhum. E convenhamos que é muito esquisito um documentário que não esclarece nada sobre as pessoas que está enfocando nem sobre os temas abordados. Sem contar as imagens “nada a ver”, como a longa sequência que mostra um grupo de mineradores tomando um banho coletivo. Um filme tão inútil quanto seu título.
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