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:: :: :: : ÉRIKA LIPORACI : :: ::: :::: ::::: :::: ::: :: :
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FILME: O Bom, o Mau, o Bizarro ORIGINAL: The Good, The Bad, The Weird PAÍS/ANO: Coréia do Sul, 2008
DIRETOR: Kim Jee-Woon DURAÇÃO: 120min
ELENCO: Jung Woo-sung, Lee Byung-hun, Song Kang-ho NOTA: 8,5

Mostra Midnight Movies

O BOM, O MAU, O BIZARRO

Interessantíssimo e criativo western oriental, inspirado no clássico de Sergio Leone Três Homens em Conflito (no original, O Bom, o Mau e o Feio). No lugar do Velho Oeste, a história é transferida para a Manchúria dos anos 30. Três malfeitores se encontram em um trem: Tae-goo (o bizarro), ladrão atrapalhado que rouba por acaso um valioso mapa; Chang-yi (o mau), assassino de aluguel enviado para se apossar desse mesmo mapa; e Do-won (o bom), pistoleiro talentoso que quer eliminar Chang-yi por considerá-lo um homem perverso. Exibido em Cannes 2008, fora de competição.

Por incrível que pareça, O Bom, o Mau, o Bizarro não se limita a ser uma brincadeira engraçadinha com o estilo western spaghetti. É, de fato, um western. E dos mais bem-feitos. Todos os elementos estão lá: a fotografia amarelada, os característicos homens mal-encarados, as paisagens áridas, os tiroteios alucinantes, a montagem ritmada. Passado o choque inicial de ver rostos orientais vestidos de caubóis e sacando seus revólveres empoeirados, o espectador logo percebe estar diante de um legítimo filme do gênero e que não fica nada a dever a seus similares americanos.

O longa não é exatamente uma refilmagem de Três Homens em Conflito, ainda que tenha muitas cenas bastante parecidas – como o assalto ao trem e toda a seqüência final. Percebe-se que as referências não vêm apenas desse único filme e sim de todo o universo de Leone: a música chupada do maestro Ennio Morricone, o ritmo épico, os figurinos. Inesquecível a emblemática imagem de Do-Won de costas usando um casacão comprido, numa reconstituição exata do cartaz de Era Uma Vez no Oeste. Por outro lado, toda essa fidelidade ao estilo não impede que o diretor Kim Jee-Woon insira algumas pitadas contemporâneas – um bom exemplo disso é o visual “emo” do Mau.

O mais surpreendente e certamente um dos melhores filmes deste Festival.


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FILME: Valentino – O Último Imperador ORIGINAL: Valentino: The Last Emperor PAÍS/ANO: EUA, 2007
DIRETOR: Matt Tyrnauer DURAÇÃO: 96min
ELENCO: NOTA: 4,0
Mostra Expectativa

VALENTINO - O ÚLTIMO IMPERADOR

Documentário sobre o estilista italiano, rodado por ocasião da comemoração de seus 45 anos de carreira e posterior despedida das passarelas. A câmera acompanha o dia-a-dia de Valentino e de seu sócio e amante Giancarlo Giammetti, desde a preparação de um desfile até questões de ordem administrativa de sua maison. Exibido no Festival de Veneza 2008.

Tirando uma ou outra cena, trata-se de um documentário de interesse maior para estudantes de moda. Acredito que ver o grande estilista em momentos de criação deve ser ouro puro para quem tem algum interesse profissional sobre o assunto. Mas para os outros mortais não sobra muita coisa. O diretor não tenta dar nenhum rumo específico ao longa, apenas segue a rotina de Valentino, num estilo de filme reverencial que caberia melhor numa reportagem televisiva do que em um longa-metragem. Restam algumas curiosidades sobre o modo de trabalhar do estilista (ele era o último de uma escola que confeccionava à mão as peças, daí o subtítulo) e, principalmente, sobre sua personalidade explosiva. Não por acaso, a melhor cena é justamente a que mostra ele passando um sabão no documentarista por estar gravando numa hora imprópria.

Claro que o filme deve agradar também aos que curtem o mundo do glamour e dos famosos, especialmente na seqüência da festa em sua homenagem, que conta com depoimentos e aparições de várias estrelas. Como cinema, é irrelevante.


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