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| » especial | festival do rio 2008 |

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:: :: :: : ÉRIKA LIPORACI : :: ::: :::: ::::: :::: ::: :: : |
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| FILME: La Leonera |
ORIGINAL: La Leonera |
PAÍS/ANO: Argentina / Coréia do Sul / Brasil, 2008 |
| DIRETOR: Pablo Trapero |
DURAÇÃO: 113min |
| ELENCO: Martina Gusman, Rodrigo Santoro, Elli Medeiros |
NOTA: 6,0 |
Mostra Première Latina |
La Leonera
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Julia acorda suja de sangue e encontra seu namorado morto e o amigo dele gravemente ferido, ambos esfaqueados, mas ela não se lembra de nada. Presa em flagrante, é enviada para um pavilhão especial por estar grávida. Julia dá à luz a Tomás atrás das grades, e sabe que só poderá ter o filho junto de si até que ele complete quatro anos. Exibido na mostra competitiva do Festival de Cannes 2008.
O filme se apóia todo no (ótimo) trabalho de Martina Gusman, que, curiosamente, tem uma carreira mais voltada para a produção do que interpretação (antes desse filme, ela atuou apenas em Nascido e Criado). Produtora dos longas anteriores de Pablo Trapero, aqui ela acumula as duas funções. O filme gira em torno de sua personagem: primeiro, mostra a adaptação de uma universitária de classe média à vida carcerária; em um segundo estágio, o foco passa a ser a leoa defendendo o direto sobre a cria com todas as armas. Rodrigo Santoro também está muito bem nas poucas cenas em que aparece, só é uma pena que seu personagem, apesar de importante, tenha tão pouco tempo em cena.
O maior problema em La Leonera está no ritmo da história, que é demasiado lento e naturalista em dois terços do filme e, por causa disso, acaba concentrando acontecimentos demais em sua reta final. A mudança deixa a trama desigual e o espectador com uma sensação de que o diretor apressou as coisas no desfecho porque estava na hora de terminar o filme. Tampouco convence a seqüência em que as presas se rebelam violentamente a partir da reivindicação de Julia, trecho que dá a impressão de ter sido inserido ali somente para injetar mais dramaticidade.
No geral, um filme que vale a pena conferir pelo elenco e também pela abordagem desse aspecto singular do sistema carcerário: a presidiária grávida.
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| FILME: Sob Controle |
ORIGINAL: Surveillance |
PAÍS/ANO: EUA / Alemanha, 2007 |
| DIRETOR: Jennifer Lynch |
DURAÇÃO 98min |
| ELENCO: Julia Ormond, Bill Pullman, Pell James, Ryan Simpkins, Cheri Oteri, French Stewart, Kent Harper |
NOTA: 7,0 |
Mostra Midnight Movies |
SOB CONTROLE
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Elizabeth Anderson e Sam Hallaway são dois agentes do FBI que chegam a uma pequena cidade onde acabou de ocorrer um brutal massacre na estrada. A dupla desconfia que o crime esteja ligado a assassinos que eles estão caçando. Na delegacia, encontram três testemunhas: o policial Jack Bennet, a viciada Bobbi e a menininha Stéphanie. Cada um deles perdeu alguém na chacina e, entre contradições e mentiras, apresentam versões diferentes do ocorrido. Exibido no Festival de Cannes 2008.
Jennifer Lynch causou um barulho danado quando, há quinze anos, escreveu e dirigiu o bizarríssimo Encaixotando Helena. Tá certo que moça já tem o DNA da bizarrice só pelo fato de ser filha de David Lynch, mas Encaixotando Helena era tão estranho, tão repleto de perversões e tabus, que a cria conseguiu superar o criador em termos de surrealismo. Passaram-se os anos e Jennifer nunca mais dirigiu um filme, com exceção de um episódio para uma série de TV. Considerando tudo isso, eu não sabia o que esperar de Sob Controle. Bom, digamos que é um filme dentro de um certo grau de normalidade. Normalidade em comparação com seu antecessor, é claro, já que Sob Controle também apresenta alguns personagens bem doentios. Lembra em alguns aspectos Os Suspeitos. E é o tipo de tipo de história em que qualquer resenha mais longa pode acabar tornando-se um spoiler. Só digo então que vale a pena dar uma olhada. Prestem atenção na atmosfera sufocante e na trilha sonora cheia de acordes perturbadores, bem parecida com a de Cidade dos Sonhos.
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| FILME: Ano Unha |
ORIGINAL: Año Uña |
PAÍS/ANO: México / Estados Unidos, 2007 |
| DIRETOR: Jonás Cuarón |
DURAÇÃO: 82min |
| ELENCO: Diego Cataño, Eireann Harper, Salvador Elizondo, Michèle Alban, Cristina Orozco |
NOTA: 6,5 |
| Mostra Première Latina |
ANO UNHA
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Como avisa em legendas antes do início do filme, o diretor Jonás Cuarón (filho de Alfonso Cuarón) escreveu o roteiro de Ano Unha a partir de imagens que ele registrou durante dois anos. Fotos reais, história fictícia. A trama que ele criou a partir de seus flashes é a seguinte: Molly, jovem americana em viagem ao México, aluga um quarto na casa de Diego, adolescente explodindo de testosterona. Diego, que só pensava na prima, passa a investir suas atenções em Molly, que se sente lisonjeada. Mas a garota volta para Nova Iorque e Diego, decidido a reencontrá-la, planeja ir atrás dela escondido dos pais.
Eis que na era do digital um cineasta estreante resolve voltar aos primórdios da sétima arte e fazer um filme usando fotografias para ilustrar a história a ser contada. Descrevendo assim, pode até parecer tosco. Mas o filme, apesar de ser uma espécie de fotonovela, consegue criar uma ilusão de movimento tão grande que por vezes o espectador até esquece que está olhando a projeção de imagens estáticas. Lembra um daqueles filmes do cinema mudo, como se tudo estivesse se movimentando em câmera lenta, mas com a diferença de que o ritmo da história é bastante ágil.
Talvez o resultado seja tão bacana por conta dos diálogos joviais e engraçados, especialmente do personagem Diego (cujas falas lembram bastante o modo de se expressar dos garotos de E Sua Mãe Também, dirigido pelo Cuarón pai). OK. Claro que não teria a mínima graça se Jonás começasse a fazer outros filmes assim. Ano Unha é uma fofurice, mas como uma experiência.
Está curioso com o título? Só digo que ele faz todo sentido.
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