Grandes Especuladores & Aluguel de Ações
Não existe na economia brasileira, nos dias de hoje, qualquer fato que justifique o massacre diário que estão sofrendo as cotações dos títulos de nossas principais empresas, na Bolsa de Valores de São Paulo - Bovespa.
Na história bursátil do Brasil, jamais, presenciamos tão grave e longa perda do valor de mercado de corporações do quilate da Petrobras S.A. e da Companhia Vale do Rio Doce S.A., para citar, apenas, as jóias da coroa. A quem interessa que esses fatos estejam ocorrendo?
As versões defendidas pelos estudiosos para justificar tais ocorrências são múltiplas: globalização, contratos sub-prime, quebra de bancos americanos, desemprego e queda na venda de imóveis usados nos EUA, fuga de capitais do Brasil, alta do dólar, baixa no preço das "commodities" que exportamos, foguetes russos anti-mísseis, invasão da Geórgia pelos Russos, Irã versus Israel, enfim, a hipótese da vez.
Sem descartar uma possível influência desses fatos, em escala mundial, não posso deixar de constatar que a danosa ação paralela de megaespeculadores está tirando partido da situação e contribuindo para desmoralizar o mercado de capitais de nosso país.
A principal ferramenta utilizada por esses manipuladores de cotações é a operação conhecida como "aluguel de ações".
Pagam uma taxa irrisória anual pela locação de grandes lotes de títulos que irão vender à vista (maciçamente) no mercado, e que serão recomprados, imediatamente, após, 10, 20, 30, etc... por cento mais baratos, sabedores que são da vulnerabilidade e limitações da Bovespa.
Trata-se de um verdadeiro tiro no pé dos beneficiários de tais carteiras de ações! O Ministério Público Federal e a CVM deveriam investigar o que se esconde por trás desse tipo de "engenharia financeira", bem como obrigar os Locadores de grandes lotes de ações que informem, ao mercado, a cotação dos títulos contratados antes e depois de cada aluguel e a variação patrimonial contabilizada após cada operação. Só assim subirá à tona, a sujeira que está contribuindo para desmoralizar o mercado de ações brasileiro.
Não tem sido bastante para os especuladores que o mercado de opções de compra e venda de ações funcione, com periodicidade mensal, em um país rico em feriados nacionais, estaduais e municipais, enforcamentos de datas, etc., transformando 30 (trinta) dias de prazo, algumas vezes, em apenas 16 (dezesseis) pregões; bem como que 06 (seis) vezes, a cada ano, tais vencimentos ocorram alguns dias após o encerramento do mercado de índices, situação que, praticamente, determina os referidos desfechos, por antecipação.
Seria mais justo que os mercados de opções de compra e venda de ações tivessem vencimentos bimestrais alternados em relação àqueles do mercado de índices, e que nas datas de liquidação de suas respectivas séries, tais negociações também fossem encerradas, até às 17h00, permitindo a todos os seus participantes (vendedores e compradores), idênticas oportunidades.
Finalizo afirmando que a freqüência com que as duas maiores empresas brasileiras (Petrobras S.A. e Companhia Vale do Rio Doce S.A.) têm perdido, nas últimas semanas, bilhões de reais em seus valores de mercado em face da virulenta ação de megaespeculadores é motivo mais do que suficiente para a adoção de rigorosas providências que neutralizem tamanho aniquilamento patrimonial dessas e de outras corporações, de seus acionistas e daqueles que ainda têm coragem para investir em ações, no Brasil.
...........................................................................................................................................................
*AUGUSTO ACIOLI é economista
Voltar | Capa |