MAIS DO QUE VOCÊ IMAGINA
Foto: Divulgação
A sinopse de “Mais Do Que Você Imagina” – filho que hostiliza o novo namorado da mãe – é mais comum do que parece. Já fora vista recentemente no fraco “Em Pé de Guerra”. Algumas piadas, inclusive, parecem ser as mesmas.
Dirigido por George Gallo, o filme coloca o filho como um policial e o namorado da mãe, como ladrão de obras de arte. Henry (Hanks) ficou três anos fora de casa por conta de uma missão secreta. Retorna com a notícia de que irá casar com Emily (Blair), uma colega de profissão. Contudo, confronta-se com uma surpresa maior: Marty (Ryan), sua mãe, que era obesa, agora está com um corpo escultural e aproveitando a vida. O filho, já no primeiro minuto, se sente desconfortável com a situação, sendo a criatura mais egoísta do mundo. Pouco tempo depois, a mãe, que saía com vários homens, sem se importar com nada, conhece Tommy (Banderas) e descobre o amor, contradizendo seus “princípios”.
Na primeira cena do filme, o espectador descobre a natureza de Tommy ao vê-lo fracassar no assalto de uma escultura, em Paris, traído pelos companheiros. A mesma peça paira sobre um museu da cidade de Marty e, em pouco tempo, Henry acaba descobrindo a identidade do rapaz, sendo forçado pelos chefes a vigiar a vida da mãe, através de escutas, que nunca entregam algo consistente. O bandido parece sentir a fragilidade da situação e tem chance de escapar, mas permanece pela nova paixão, que convence o espectador.
A gag mais utilizada e que assume um efeito irônico aqui é a de colegas de profissão (incluindo o chefe) de Henry chamarem sua mãe de “gostosa”, entre outros adjetivos. Meg Ryan, deitada de costas, na beira da piscina, parece promissora. Contudo, frente à câmera, está mais para uma senhora após sucessivas e mal sucedidas cirurgias plásticas. Atuando, a moça se restringe a fazer um tipo que aparenta estar drogada e que nunca usa sua inteligência.
No resto do elenco, Antonio Banderas é o habitual “latin lover” que não compromete e Selma Blair, a coadjuvante sem alguma utilidade. Colin Hanks, por sua vez, faz um personagem que nunca cativa o público, quando era para ser o contrário. Assim, em suas tentativas frustradas de sabotar o namoro da mãe, o que sobra é um sentimento de repulsa ao rapaz..
Para piorar, “Mais do Que Você Imagina” termina com uma reviravolta oportunista que só mostra a ineficiência de um dos lados da história, já que tal fato revelado, nessa altura do campeonato, poderia ser muito bem identificado pela turma de Henry, que se revelou tão metódica anteriormente.
Se o que mais chama a atenção, nesse filme, é a breve maquiagem pesadíssima de Meg Ryan, vista em trabalhos de Eddie Murphy para transformar pessoas magras em obesas, alguma coisa está errada. O problema não está no “novo namorado da mãe”, mas em todos os outros personagens, que se comportam inversamente àquilo esperado deles. Uma comédia de costumes previsivelmente falível, sem algum atrativo.
Cotação para este filme:
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