A PANTERA COR-DE-ROSA 2
Foto: Divulgação
O segundo filme da nova franquia de “A Pantera Cor-de-Rosa” é mais uma continuação que não deveria ser feita, apesar de trocar a direção (sai Shawn Levy e entra o desconhecido Harald Zwart, de “Que Mulher é essa?”). A trama basicamente dá tempo maior a elementos conhecidos e se arrisca timidamente às novidades.
Tanto o constrangedor Inspetor Jacques Clouseau (Martin), quanto a esmeralda “pantera cor-de-rosa” não saíram de cena. O novo vilão secreto é um ladrão de jóias, apelidado de “Tornado”, que deixa um cartão no lugar do objeto furtado; sua mais nova aquisição é justamente a pedra rosada que dá nome ao filme. É formado um “dream team” para capturar essa ameaça, composto de um italiano presunçoso (Garcia), um inglês (Molina), um japonês especialista em computadores (Matsuzaki) e uma moça que escreveu um livro sobre o criminoso (Rai). O último elemento é justamente Clouseau, que é adicionado à contragosto e, claro, mais cedo ou mais tarde, resolverá o caso sozinho, por acaso, depois de ser muito subestimado. O detetive inglês faz até uma aposta baseada nisso, mas a previsibilidade de seu desfecho a torna inútil.
Entre os elementos já conhecidos pelo público, o roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber aposta no amor mal resolvido de Clouseau com sua secretária (Mortimer), que eventualmente acaba parando nas mãos do investigador italiano. Ponton (Reno) é outro que ressurge, injustificadamente, já que sua função original, que era vigiar o protagonista, foi superada no filme de 2006. Agora ele se torna íntimo dele, se mudando para a casa do “amigo”, com os filhos, depois de brigar com a esposa. As duas subtramas tomam boa parte da narrativa, sendo que os conflitos da primeira não são interessantes e da segunda, possuem um humor duvidoso com crianças-prodígio.
O “dream team” surge como um grupo à lá “onze homens e um segredo”, versão benfeitora. Infelizmente, ele falha por apresentar personagens clichês (o nerd hacker) ou nulos (o inglês). Sobraria tempo, então, para o personagem de Andy Garcia, mas Steve Martin tenta roubar a cena constantemente, falhando sem esforços. Seus gestos exageradamente falsos e ingenuidade infantil continuam a não agradar o público.
Zwart ainda tenta mudar de ares, quase levando os personagens ao Japão e reunindo-os com o Papa, em Roma, depois que um anel do pontífice fora furtado. Nessa viagem, há uma rápida aparição de Jeremy Irons, que some, a seguir, sem deixar vestígios, numa seqüência de inutilidade ímpar, mostrando mais trapalhadas de Clouseau, que parece procurá-las propositalmente. Completam o elenco de coadjuvantes Lily Tomlin, em participação não muito empolgante, e John Cleese, com o Inspetor-chefe Dreyfus (Kevin Kline se saía melhor).
“A Pantera Cor-de-Rosa 2” é mais fraco que o primeiro; nem a resolução completa do caso salva a história. Fica-se apenas com a animação introdutória, mil vezes mais divertida, que não tem Steven Martin nem tentativas involuntárias de fazer o público se constranger com o personagem principal.
Cotação para este filme:
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