PRESSÁGIO
Foto: Divulgação
A premissa do thriller de catástrofes “Presságio” parece boa, mas se destrói em equívocos. John Koestler (Cage) é um professor de astronomia que, por uma série de coincidências, encontra um pedaço de papel recheado de números. Analisa ,“sem querer”, uma seqüência qualquer e percebe que ela sinaliza a ocorrência de um grande evento, passado, gerador de mortes. O problema é que aquilo foi escrito há cinqüenta anos, bem antes dos fatos relatados. A lista continua (até com o 11 de Setembro, claro), reservando mais alguns números para o futuro.
A narrativa começa no passado, com a garotinha Lucinda Embry (Robinson), no final dos anos 1950, ouvindo vozes na sua cabeça, e parecendo bem sinistra perante outras pessoas. Na escola, a professora propõe a seus alunos fazerem desenhos, que serão colocados numa “cápsula do tempo” – recipiente de metal, que será enterrado e revelado somente em cinco décadas para as novas gerações. A atormentada personagem escreve números aleatoriamente, frente e verso, num papel. O resto, já se sabe.
Pode-se dizer que o roteiro de Juliet Snowden e Ryne Douglas Pearson, salvo algumas exceções, tem um primeiro ato bem esquemático, demorando a fazer uma esperada ponte entre a narrativa passada e a presente. O filho de John, que estuda no colégio da cápsula, foi o sorteado para receber o recado de Embry, que passou às mãos do personagem de Cage. A história em 1959, inclusive, seleciona enquadramentos bem clichês da menina (uma hora ela aparece ao fundo, em um grande evento e, no segundo seguinte, some), lembrando algum filme de terror convencional sobre possuídos.
Voltando à realidade de John, e ignorando as coincidências, o filme parece encontrar um ponto interessante ao acompanhar suas descobertas em torno dos números. A seguir, o ponto morto é reencontrado, envolvendo um nem um pouco interessante conflito entre pai e filho (o segundo assistindo um vídeo da falecida mãe é um recurso dramático bem piegas) e a um clima maior de tensão que a história tanto prometia.
O diretor Alex Proyas, de “Cidade das Sombras” e “Eu, Robô”, orquestra cenas envolvendo grandes tragédias de maneira muito eficaz, lembrando os mega acidentes da série “Premonição”, só que com um olhar menos sádico e mais aterrorizante. Contudo, John, o olhar principal dessas ocorrências, se envolve excessiva e desnecessariamente nelas (principalmente na primeira, em que corre risco de vida em um campo aberto).
Conforme o protagonista vai assumindo mais a aura de investigador, acaba se esbarrando com novas figuras, como Diana Wayland (Byrne), a neta de Embry, e sua filha. Infelizmente, as duas são subutilizadas, com maior pesar à segunda, que tem importância no fim da narrativa.
Há ainda o surgimento de estranhos homens, que podem se comunicar telepaticamente com o filho de John. O pai demora a perceber o que está havendo, sendo que o público pode ter perfeita idéia da natureza da situação. Fica apenas o clima de ameaça, até a tardia descoberta.
“Presságio” se encerra de maneira corajosa e não-previsível, envolvendo o indescritível prazer de um diretor destruir todo um cenário, mas deixando algumas pontas soltas (o que conteriam nas outras naves que partem – animais, fazendo analogia a um acontecimento bíblico, ou pessoas?).
Pode-se dizer que é um filme agitado – um “fast-food” com sabor – sendo que alguns temperos se revelam gratuitos; a exagerada e igualmente dispensável atuação de Nicolas Cage, por exemplo. Mas não irá decepcionar aqueles que vão justamente para encontrar certos elementos no gênero de filme que este se enquadra. Mesmo que eles não estejam combinados da melhor maneira possível.
Cotação para este filme:
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