» FICHA TÉCNICA |

Título do Filme: Control
Título Original: Control
Idioma: Inglês
Duração: 110 Minutos
Gênero: Drama/Musical
Produtora: Becker Films
Distribuidora: DayLight Filmes
Direção: Anton Corbjin
Roteiro: Matt Greenhalgh
Elenco: Sam Riley, Samantha Morton, Alexandra Maria Lara, Tobby Kebbel.
Data de Estréia: 23/05/2008


ARQUIVOS:
» Todas as críticas deste autor [+]

» Críticas de outros autores [+]


 
francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» RIO DE JANEIRO, 23 DE MAIO DE 2008

CONTROL

Foto: Divulgação

Desde que me entendo por gente escolhi o lado ‘underground’ da vida para tomar lugar. O mundo ‘mainstream’ nunca me encheu os olhos, e já debati aqui na minha coluna tantas vezes sobre como não consigo me sentir a vontade especialmente com o cinema, nesse sentido. Por mim, é quase sempre uma regra: quando o dinheiro em grande escala entra pela porta, a criatividade sai pela janela. É assim em todas as áreas artísticas ao meu ver, embora eu centralize minha artilharia em direção a Sétima Arte, até porque essa é a minha área de trabalho. Mesmo no teatro, nas artes plásticas, na literatura ou na música, sempre acho que um trabalho rico, bem embasado e imerso em originalidade flui melhor quando as grandes corporações não interferem no resultado final, quando o dinheiro sempre acaba impondo sua vontade.

Há seis anos, lembro que meu pensamento já era esse quando comecei a freqüentar boates e festas, quase sempre alternativas. Em um clube onde sempre batia ponto foi onde conheci uma banda britânica, mais precisamente de Manchester, de onde uma voz grave e possante ecoava que “o amor ia nos separar de novo”. Aos poucos me acostumei com o Joy Division, e mais tarde vim a saber que seu vocalista Ian Curtis era a maior influência para artistas da minha adolescência, como Morrissey e Renato Russo. Sua voz, seu estilo único de dançar e se movimentar no palco, suas composições amargas mas sempre cheias de uma ternura cinzenta influenciou na verdade toda a sua geração, o fim dos anos 70. O que eu não imaginava era que sua história era igualmente amarga, triste e súbita, de caminho tão meteórico.

Pois ninguém melhor que Anton Corbjin, o fotógrafo oficial do grupo, para imergir no universo de Curtis e sair dele com um retrato tão detalhado em suas (falta de) cores. Tudo no olhar do recém-criado diretor é pura verdade e talento, ainda mais conhecendo a história e o universo do vocalista do Joy Division como tão bem o próprio retratou em letra e música. O universo de Curtis é mostrado com tanta riqueza que parece que Corbjin esqueceu que a sua volta também havia um universo rico, ligeiramente negligenciado pelo roteiro.

O filme acompanha Curtis desde a época que era estudante e trabalhava numa agência de empregos para pessoas deficientes. Até o dia que o show de um ‘tal Lou Reed’ na sua cinza Manchester abalou a juventude local, e dos jovens que assistiram ao espetáculo um grupo se juntou para manter aquela verve à altura. Era a gênese do Joy Division que começou se apresentando em clubs minúsculos para platéias as vezes inexistentes, mas que em menos de um ano já era um fenômeno local. Paralelo a isso, Ian se casava com Deborah, e ela imediatamente engravida. O amor que unia o casal também é mostrado, assim como o desencanto da vida a dois quando o grupo estoura em sucesso. Durante uma viagem de turnê, Ian conhece Annik, uma jornalista belga que o encanta e aos poucos o destrói internamente. Isso unido a descoberta de uma epilepsia o mina, criando um homem-bomba prestes a explodir internamente. Sua depressão é acachapante, e o filme demonstra isso com uma força ímpar.

Teríamos pouco a comemorar se o ator escolhido para interpretar Ian Curtis não tivesse um talento descomunal, porque a proposta de Anton Corbjin era de algo realmente de grande impacto. Acredito que ele tenha sido escolhido em teste, mas deve ter sido um senhor teste: Sam Riley é a maior estréia da década até agora, e sua força dramática não tem como ser descrita nem elogiada a contento. Sua presença cênica é incrível, e já há motivos de sobra para salivar por qualquer coisa que o rapaz faça proximamente.

Como tinha dito no início, infelizmente a vida particular ao lado de suas musas não é tão bem esmiuçada quanto sua confusão mental. Por isso, Samantha Morton e Alexandra Maria Lara tem pouco a fazer (a segunda, coitada, mal fala em cena). No fundo fica exposta a mente conturbada de um gênio em luta consigo mesmo, numa produção delicada e extremamente ‘underground’, como eram Ian Curtis, o Joy Division e o fotógrafo Anton Corbjin, passando para outra profissão numa estréia muito bem-vinda.

Cotação para este filme:
.....................................................................................................................................................

up | Cinema | Ir para todas as Críticas | Capa


Crônicas Cariocas® - 2006 / 2008
Matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores
» Outros Canais | 2 Dedos de Prosa | Artes das Ruas | Caderno de Cultura | 1º Concurso Crônicas Cariocas 2008 | Cultura: agenda | Cultura: artes plásticas | Cultura: eventos | Cultura: meu clássico favorito | Cultura: show | Cultura: teatro | Cinema | Cinema Falado | Cinemão | Cinematógrafo | Mise en Scène | Respirando Cinema | TelaGrande | Festival do Rio 2007 | Contos | Contos de Terror! | Convidado Especial | Copa 2014 | Cristo Redentor | CrônicasTur | Dicas de Português | Editorial | Entrevistas | Esportes & Saúde | Exclusivo | HQ's | Infantil | Infantil: english | Literatura | Meu Bairro | Música | Música & Voz - Tatiane Vidal | Oise | O Que Estou Lendo | O Rio em P&B | Pan2007 | Poesias | Reportagens | RsRsRs | Crônicas Sociais |
 
PARCERIAS