AO ENTARDECER

Lembro das primeiras vezes que ouvi falar desse projeto, uma adaptação de um romance de Susan Minot pela própria e também por Michael Cunningham, em sua estréia como roteirista após escrever livros sensacionais (entre eles, As Horas e Uma Casa no Fim do Mundo). Junto a ele, um elenco de sonho se apresentava: Meryl Streep, Glenn Close, Vanessa Redgrave, Toni Collette, Natasha Richardson, Claire Danes e a aguardada estréia da filha de Meryl, Mamie Gummer. Mulheres extraordinárias só poderiam se juntar em um projeto onde se gritava Oscar por todos os lados. O diretor de fotografia Lajos Koltai (indicado ao careca dourado pelo incrível trabalho em Malena) sentado na cadeira de direção era também um sinal de que tudo sairia às mil maravilhas. Mas... não estaria tudo ‘perfeito demais’? Na cultura hollywoodiana, já assistimos várias vezes casos onde a presença maciça do melhor que a Sétima Arte pode oferecer acaba nos entregando festivais de egos infllados, e o pobre do filme fica no meio do caminho. Aqui, ainda bem, se conseguiu um filme (aparentemente) sem brigas entre estrelas de primeira grandeza. Pena que nem assim o resultado final seja um grande filme. O que terá saído errado então, no meio de tantas promessas?
A história é relativamente clássica: Ann Grant está no limiar do fim de sua vida, e ao lado das filhas, relembra o passado romântico que a levou até ali. Na juventude, Ann foi uma bela jovem e, ao ser convidada para apadrinhar o casamento de sua melhor e mais abastada amiga, se envolve num romance que poderia ser o sonho de qualquer garota... isso até o fim de semana em questão se transformar num pesadelo. O relato desse pedaço da vida de Ann, entrecortado pelos problemas atuais vividos por suas duas filhas, é a trama de Ao Entardecer, um trabalho que até pode tocar em determinados momentos, mas que deixa claro como tanto talento foi desperdiçado. As presenças de Meryl Streep e Glenn Close, por exemplo. A segunda praticamente não fala, e sua personagem não tem importância alguma a trama. Já Meryl pelo menos guarda uma bonita surpresa ao final do filme, já que só entra em cena faltando 20 minutos pro fim do filme. A protagonista do filme de fato é Claire Danes, que segura a peteca de um elenco gigante como esse. Ela está sempre ao lado dos bonitões Hugh Dancy e Patrick Wilson, que também estão ótimos. A grande surpresa (ou talvez não seja tão surpresa assim) é a estréia de Mamie Gummer, a filha que Meryl estava escondendo e parece ter herdado mais que a impressionante semelhança física com a mãe.
Já o roteiro, não poderia ser mais esquemático e pobre, mantendo amarradas tramas que precisariam de mais espaço pra se desenvolver, como a das filhas de Ann. Toni Collette e Natasha Richardson fazem o que podem, mas suas histórias não são dignamente desenvolvidas, e suas personagens parecem perdidas em cena. Nem mesmo tecnicamente o filme consegue arrebatar, o que é quase sacrilégio, vindo de um filme dirigido por um homem que é originalmente diretor de fotografia.
Aos que não esperarem muito do filme (o que será difícil, contando o incrível time de feras envolvido), o resultado pode até agradar; emoções baratas e de fácil absorção os esperam. Mas é no mínimo frustrante assistir ao espetáculo proposto, quando poderíamos obter muito mais do grupo envolvido. Talento não faltou.
Cotação para este filme:
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