ARQUIVO X: EU QUERO ACREDITAR

Como começar a resenha sobre um filme derivado de uma série do qual sei muito pouco? Sempre fui muito simpático a série, mas nunca tive muito tempo pra acompanhar séries de tv; dos episódios que vi, tudo sempre me pareceu fascinante. Essa dúvida me persegue desde que soube que teria de escrever sobre Arquivo X: Eu Quero Acreditar, longa que retoma o mote do estrondoso sucesso televisivo que se encerrou há 6 anos atrás. Depois de 10 temporadas de sucesso, o seriado que deu cara aos anos 90 saiu de cena com a popularidade baixa e a credibilidade arranhada, depois de inclusive ter perdido seu protagonista. Inclusive esse é o segundo filme da série, pois em 98 tínhamos visto uma primeira aventura da dupla Fox Mulder e Dana Scully na telona, que não obteve o resultado estrondoso que o estúdio esperava. Nesses tempos de Cavaleiro das Trevas arrecadando o equivalente a seu custo (US$180 milhões) na primeira semana, fica difícil de imaginar que a nova empreitada renda uma enormidade. Mas como o custo da nova aventura da dupla de agentes do FBI é diametralmente oposta ao novo filme do Batman (apenas US$35 milhões), não será difícil contar com um sucesso por aqui.
Dito isso, o que sei sobre Arquivo X? Bem, o básico: Mulder e Scully eram uma dupla de agentes de uma subdivisão do FBI que investigava crimes que tinham ligação com o ‘desconhecido’, ou seja, tudo que não era natural ou lógico parava nas mãos deles. Portanto, ao contrário do que imaginam os não-iniciados, a série não tratava exclusivamente de crimes ligados a criaturas extraterrenas, mas também de problemas que desafiavam por ter laços terríveis com o ser humano, apesar de inacreditáveis. Suas personalidades contaram muito para o sucesso da série: enquanto Scully sempre baseou suas opiniões no fundo lógico das questões, tendo inclusive uma fé inabalável, Mulder era o típico crente, que desde o desaparecimento da irmã na juventude, associa seus problemas à “verdade que estava lá fora”. No meio disso tudo, era óbvio que ambos se apaixonariam em algum momento, e os fãs da série esperavam os parcos beijos que eles trocaram em tantos anos como final de Copa do Mundo, já que de tão diferentes características, os personagens se atraiam e se afastavam sempre. Pronto, era somente o que eu sabia sobre o universo deles. Além disso, também existiam Skinner, o chefe da dupla que sempre ficava dividido entre um e outro, e o ameaçador Canceroso, figura altamente suspeita que estava envolvida até a raiz dos cabelos em tudo de sobrenatural que envolvia a série.
O novo filme trás a assinatura de Chris Carter na direção, o criador de tudo isso e que tinha ficado de fora do longa anterior. Ele fez questão de amarrar a série de alguma forma ao novo filme, ao mesmo tempo que tratou de criar um longa imaginativo e coerente também a quem nunca acompanhou a dupla na telinha. Logo, vemos Scully trabalhando como médica num hospital dirigido por padres quando o FBI vem procura-la para achar Mulder. Eles precisam ajuda-los num caso de desaparecimento de uma agente deles, que foi detectado por um padre acusado de pedofilia e que pode ser um vidente (samba do crioulo doido? Calma, no filme é mais simples). Com isso, a divisão Arquivo X poderá ser reativada temporariamente, quando a fé de Scully e as crenças de Mulder serão definitivamente colocadas a prova.
O mais interessante do novo filme é a retomada dessas duas brilhantes personas, que continuam bem desenvolvidos e interpretados por David Duchovny e Gillian Anderson. Observem como eles continuam amplamente a vontade em seus personagens, que cada vez mais parece unido (calma pessoal, não vou contar absolutamente nada que possa estragar qualquer prazer ‘fãzóide’). Por outro lado, acredito que personagens tão ricos mereciam um roteiro melhor pra retornar às suas atividades, e a aparência de ‘trabalho porco’ aparece a todo instante, e fica difícil acreditar que o filme não é apenas um caça-níquel de verão. A pobreza, irrelevância e falta de cuidado da trama apenas a sustenta como passatempo sem compromisso, nada muito além disso. Como o trio envolvido parece querer transformar essa experiência em série de cinema (de acordo com entrevistas dadas), fica a torcida para o sucesso desse novo filme, que possibilitaria a volta de Mulder e Scully em projeto mais ambicioso e superior. No produto atual, eles sobram.
Cotação para este filme:
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