MEU IRMÃO É FILHO ÚNICO
Foto: Divulgação/Playarte Filmes

A Itália já exportou mais seus filmes. Ultimamente pouquíssimos exemplares do país de Sophia Loren e Mastroianni dão as caras por aqui, sendo A Desconhecida talvez o último antes desse novo. Foi justamente o último filme de Giuseppe Tornatore que bateu no longa de estréia de Daniele Luchetti no David di Donatello (o Oscar italiano) levando os principais prêmios, enquanto Meu Irmão é Filho Único saiu vitorioso em melhor ator, atriz coadjuvante e roteiro. Há de se imaginar que realmente devem estar sendo tempos difíceis para a cinematografia italiana, tendo em vista que esse filme nada mais é que um passatempo agradável, mas já muito visto e sem nenhuma grande novidade.
Acompanhamos a história dos irmãos Accio e Manrico, que durante os anos 60 e 70 se envolvem num embate político entre comunistas e fascistas, cada um defendendo uma vertente. Accio tinha vocação religiosa e decidiu se converter quando pequeno, mas as poucas semanas que passou no seminário serviram para mostrar como estava errado. Ao voltar para casa, ele percebe que seus irmãos tinham tomado conta de seu quarto, e decide criar identidade própria, filiando-se ao fascismo. Os anos se passam e Manrico se envolve com uma bela jovem, que aos poucos também começa a mexer com a cabeça de Accio, ao mesmo tempo em que o caçula se vê atraído pela esposa de um grande amigo seu. Conforme Manrico se envolve mais e mais com o Partido Comunista, a trama vai focando cada vez mais Accio (???) e logo vemos claramente que o filme possui apenas um protagonista, e não 2 como é sugerido até pelo menos a metade. Accio segue dominando a narrativa, que mostra também embates com sua mãe (interpretada com esmero por Ângela Finnochiaro), que considerava ter um filho “possuído por um espírito ruim”, porque desde pequeno Accio era muito questionador e não aceitava o que lhe impunham facilmente.
Servindo como moldura ao roteiro, a colcha de retalhos política que era a Itália da época é bem retratada num filme que tem uma deliciosa trilha sonora cheia das mais clássicas canções populares italianas. Nos papéis dos irmãos, Elio Germano e Riccardo Scamarcio estão bem, mas nada que sugira qualquer comoção com seus nomes, muito menos o esquisito prêmio de melhor ator que Elio conquistou. O roteiro também não acrescenta nada a filmes que tenhamos visto tantas vezes, e os diálogos também não primam pela excelência.
Resta o passatempo, como eu disse anteriormente. O filme prende atenção do início ao fim, e se não é perfeito também não é ruim. Não se pretende ser nenhum grande assombro cinematográfico, e talvez por essa honestidade o filme ganhe pontos. Como lhe sobra alegria e juventude, podemos sem problema esquecer que o filme tem alguns ajustes a serem feitos (que fim leva uma das personagens principais, ao final?). No final das contas, temos um produto para o grande público achar que cumpriu sua meta de gostar ao menos de um filme estrangeiro, e a Itália volta a exibir um produto em nossas telas. Agora só falta chegarem os filmes realmente bons.
Cotação para este filme:
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