Zohan: O Agente Bom de Corte
Foto: Divulgação/Sony Pictures
Uma comédia protagonizada por Adam Sandler, isso já está virando quase um gênero dentro do gênero. Se não, vejamos o que o rapaz tem nos apresentado de uns anos pra cá: 2 refilmagens (A Herança de Mr. Deeds e Golpe Baixo), 2 filmes co-estrelados por Drew Barrymore (Afinado no Amor e Como se Fosse a Primeira Vez), 2 filmes dirigidos pelos oscarizáveis Paul Thomas Anderson e James L. Brooks (Embriagado de Amor e Espanglês) e um co-estrelado por Mestre Jack Nicholson (Tratamento de Choque). No resto dos títulos, dependeu só dele... e foi aí que tudo degringolou. O Rei da Água, O Paizão, Little Nicky, Click e Eu os Declaro Marido... e Larry! estavam entre os piores filmes de cada respectivo ano. Independente dos americanos fazerem de cada um deles fenômenos de bilheteria (com exceção do pior de todos, Little Nicky) e de cada um obter alguma graça aqui e ali, eram filmes sem exceção com roteiros ruins de doer, direção amadora e elenco de teatro mambembe de beira de estrada.
Em alguns filmes, Sandler incorre em um erro que eu considero mortal pra qualquer filme, e nos dele esse erro é especialmente intragável: a mensagem. Em O Paizão ele leva o filme a um final em tribunal pra exclamar “pai é quem ama, não quem põe no mundo”. Em Click a trama desde o início indicava que ao final ele iria dizer que “a família é o nosso mais importante tesouro”, e não deu outra. Em Eu os Declaro Marido... e Larry! ele decide apoiar a causa gay, e se torna mais nojento que nunca. Quando anunciou o projeto de um filme onde teriam árabes, israelenses e palestinos, já dava pra previr o que viria por aí.
Dessa vez ele é Zohan, um superagente da Mossad temido e sempre preparado pra enfrentar qualquer perigo. Seu sonho secreto é bem diferente: ser um cabelereiro de sucesso em Nova York. Ele então forja a própria morte depois de um acerto de contas com um vilão e embarca para sua nova vida, onde sonha conhecer sua musa Mariah Carey e se tornar o maior profissional dos cabelos da cidade. Detalhe: ele não é gay! Ao começar a trabalhar no salão onde lhe é dada uma chance, ele trata de fazer barba, cabelo e bigode das freguesas, que entram em extase com ele. Só que um dia a farra ameaça acabar, quando as notícias de seu sucesso chegam em Israel e todos os seus desafetos vêm em seu encalço na intenção de destruir a América.
Dito isso tudo, fica clara a condução da trama, mas a verdade é que apesar de tudo (inclusive de ser péssimo ator), Sandler é ótimo comediante e seu arsenal de piadas parece não ter fim. Seu humor por vezes grosseiro e altamente físico realmente agrada em cheio às platéias que praticamente não têm recebido comédias divertidas, de fato. E se enquanto cinema Adam Sandler é um desastre, enquanto metralhadora de fazer rir seus méritos são reforçados. E como se cerca de coadjuvantes melhores que ele (seu amigo John Turturro está fantástico), o filme acaba sendo o melhorzinho entre seus últimos petardos. Ideal pra assistir nessa época de guerra por todo o planeta, Adam Sandler nos parece dizer “faça humor, não faça guerra”. E essa mensagem horrorosa deve ser desprezada por qualquer um que queira rir muito com Zohan e o inacreditável corpão malhado de Sandler.
OBS: Atenção para as hilárias legendas do filme, um trabalho de mestre da equipe de tradução que adaptou para o português todas as piadas que misturam palavras da língua inglesa ao modo de falar da galera do Oriente Médio. Impagável.
Cotação para este filme:
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