MAMMA MIA!
Foto: Divulgação/Universal
Sabe-se lá quantos anos eu tinha quando ouvi uma música do ABBA pela primeira vez. Lembro bem dos anúncios de coletâneas suas anunciadas pela TV na minha infância, quando o grupo já tinha se desfeito. Eu não tinha noção que iria viver pra aprender a gostar do grupo como o mundo inteiro ainda gosta, dançar muito pelas pistas de dança em ‘flashbacks’ que duram uma noite inteira, ou curtir um filme que girasse em torno de sua obra. Pois bem, quase tudo isso aconteceu. Mas bem antes do filme Mamma Mia!, existe a história do nascimento do musical que deu origem a ele. Nos anos 80, enquanto eu ainda via pela TV o anúncio de seus discos, a produtora Judy Craymer teve a idéia de elaborar um musical usando a base das músicas do grupo como roteiro, dada suas características teatrais. Em princípio relutantes, Benny Andersson e Björn Ulvaeus (os criadores do grupo, donos de seus direitos e responsáveis pelos Bs, em ABBA) acabaram aceitando a empreitada 10 anos depois do pedido feito pela produtora. Catherine Johnson, autora teatral, foi então chamada para dar vida a trama e a diretora Phyllida Lloyd chegou pra organizar o todo (e está de volta no filme também, estreando em cinema) e, em 99, estreava em Londres um musical leve e vibrante, até hoje visto por mais de 30 milhões de pessoas em todo mundo.
Quando o “fã do grupo” Tom Hanks viu o espetáculo, foi amor à primeira vista, e logo o projeto para o longa metragem estava em desenvolvimento, na esteira do sucesso de Moulin Rouge! e Chicago. Nesse meio tempo, o que ninguém sabia é que outro musical jovem, divertido e cheio de vitalidade viria como base para a plataforma de lançamento para Mamma Mia! esse ano. Há exatamente 1 ano atrás estreava nos cinemas a versão de Hairspray que voltou a colocar John Travolta no topo dos astros rentáveis e levou multidões aos cinemas; a mesma multidão que Mamma Mia! arrebata há 2 meses nos EUA, onde o filme já somou 140 milhões de dólares, ainda sem número específico pra estacionar. A verdade é que todos se encantaram com a singela trama, transposta a risca do palco às telas.
Sophie (Amanda Seyfried) vai se casar e, no desejo que sempre teve de conhecer o pai que sua mãe nunca revelou quem fosse, ela manda convites de casamento aos 3 homens sobre quem leu no diário de sua mãe, Sam (Pierce Brosnan), Harry (Colin Firth) e Bill (Stellan Skarsgard). Agora sua mãe Donna (Meryl Streep) vai ficar em polvorosa com a chegada dos 3 no fim de semana do casamento, e somente suas melhores amigas (Rosie – Julie Walters – e Tanya – Christine Baranski) poderão ajuda-la a pôr seu solitário coração em dia, já que ela nunca esqueceu nenhum dos 3.
A simplicidade da trama não permite que seja criado nenhum arroubo de inteligência fenomenal no roteiro nem na estrutura do filme, bem calcado no espírito de um típico musical. A festa é permamente durante os 110 minutos de filme, e salta aos olhos como cada um dos atores do filme se diverte intensamente, contagiando o público. No entanto, o filme não prima por grande coreografia (como disse, tudo é extremamente simples) e a empolgação inicial, que excedia as músicas em grandes momentos como “Dancing Queen”, “I Had a Dream” e no espectacular embaraço de Streep na canção-título (a mais deliciosa e empolgante cena do filme), cai num nível ‘xarope’ quando o romance entre Donna e um dos pretendentes a pai toma conta da trama. Além disso, fica clara como algumas músicas foram forçadamente encaixadas na trama às custas de 1 ou 2 frases coerentes com o momento, e isso fica gritante quando Meryl entoa a mais bela balada do grupo, “The Winner Takes it All”; nada nos preparou pra assistir tal constrangimento, mas como a música é muito linda, o melhor conselho é fechar os olhos e sentir a emoção da estrela na interpretação.
Aliás, talvez isso seja o melhor a ser feito durante todo o filme, se prender às grudentas e inesquecíveis canções do ABBA. O filme não parece nem um pouco disposto a ser mais que uma colagem de sua carreira, e diverte se for levado exatamente dessa forma. O elenco, bem a vontade, também demonstra sua vontade única de se divertir na bela ilha grega palco da ação e cantar as músicas que nos fazem dançar e nos divertir há tanto tempo. Na próxima vez que eu me preparar para a pista ao som de “Mamma Mia!”, no entanto, será impossível não lembrar de Meryl Streep, no auge do vigor e de felicidade estampada no rosto, escalando um telhado e tentando não se empolgar com a volta de suas paixões do passado; a imagem clara da alegria de se divertir em cena e (pelo menos por ora) esquecer a seriedade de um ‘grande filme’.
Cotação para este filme:
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