A MULHER DO MEU AMIGO
Foto: Divulgação/Conspiração Filmes
Antes de começar a escrever sobre o filme, um aviso de amigo: passem longe desse novo lançamento do nosso cambaleante cinema nacional se quiser manter alguma esperança com ele. Trata-se de um dos piores títulos do ano, se não o pior de fato. O pior é constatar que ele é dirigido por Cláudio Torres, que nos entregou há 4 anos um grande filme de estréia, o alegórico Redentor. Foi saudado por todos como uma estréia de brilho, uma promessa vinda do que talvez seja a família mais brilhante do meio artístico nacional. E se na estréia ele contou com a ajuda da família inteira (Fernandinha no roteiro, e os pais Fernandos no elenco), aqui todos ficaram de fora, e deixaram o mico sozinho para Cláudio pagar. Fizeram o certo, e sabe-se lá porque ele se meteu nessa roubada federal. Tudo bem que o trabalho era ancorado por uma peça de Domingos Oliveira (e a primeira obra dele a não ser adaptada pelo próprio), mas a impressão que dá é que, com a Globo Filmes na jogada, a produção ganhou o péssimo status de ‘especial de fim de ano da Globo’, mas com resultados ainda piores que Sexo, Amor e Traição e afins.
Absolutamente nada funciona no filme, e até o que ameaça funcionar vai ficando pelo caminho da pior maneira possível. O filme tem a marca visual que Cláudio tinha impresso na estréia, mas será que material tão pobre merecia tanto requinte visual? Do jeito que ficou, o desperdício ainda é outro aspecto a pesar contra, porque o visual brega/cafajeste que o filme adquire é de doer. A parte técnica, tenho dito, é toda pavorosa. Trilha, fotografia, montagem, tudo. Não dá pra livrar a cara do roteiro também, onde boas frases são jogadas ao léu, num festival de situações nada engraçadas e amplamente constrangedoras (no pior sentido) que só nos faz lembrar programas como Zorra Total ou A Praça é Nossa.
A tal trama é a seguinte: Thales (Marcos Palmeira) se casou com Renata (Mariana Ximenes) praticamente escolhido pelo pai dela (Antonio Fagundes), que o promoveu na empresa e escolheu o marido da filha. Assim, ele parece ter dado um excepcional golpe do baú e nada aproveita dele, já que está cansado da vida de executivo e de marido de dondoca. Ao passar um fim de semana na companhia do casal de amigos Rui (Otávio Muller) e Pamela (Maria Luisa Mendonça) na mansão do sogro na serra, ele decide largar o escritório para viver uma vida de ócio ao lado da esposa. O que ele não sabe é que Renata e Rui tem um caso há muitos anos, e que se encontram escondidos até hoje. Durante uma oportunidade (criada pelo pavoroso roteiro), Thales ficará sozinho com a burrinha Pamela (que mais parece uma atualização de todas as ‘burras de humorísticos’ de todos os tempos), e encontrará nela adjetivos escondidos sob o véu da ingenuidade. Pronto: a troca de casais de consumará.
Tudo narrado da forma mais preguiçosa possível, com esse roteiro medonho, não dá nem pra culpar, mas a verdade é que o elenco responde com o que pode, ou seja, com nada. O quinteto está uniforme em ruindade, canastrice, falta de talento e pavor cinematográfico. Mas é só analisar pra compreender que só é culpa deles por terem aceitado estar na produção; não havia o que fazer no filme que não chutar o pau da barraca e apostar tudo na falta de qualidade generalizada que é A Mulher do meu Amigo, uma produção para esquecer num ano bem complicado pra gente.
Cotação para este filme:
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