» FICHA TÉCNICA |

Título do Filme: A Duquesa
Título Original: The Duchess
País de Origem: Inglaterra
Duração: 105 Minutos
Produtora: Paramount Vantage
Distribuidora: Paramount
Direção: Saul Dibb
Roteiro: Saul Dibb, Jeffrey Hatcher & Anders Thomas Jenssen
Elenco: Keira Knightley, Ralph Fiennes, Dominic Cooper, Hayley Atwell, Charlotte Rampling.
Data de Estréia: 21/11/2008


ARQUIVOS:
» Todas as críticas deste autor [+]

» Críticas de outros autores [+]


 
francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» RIO DE JANEIRO, 18 DE NOVEMBRO de 2008

A DUQUESA

Foto: Divulgação/Paramount

É incrível como, sai ano e entra ano, os mesmos filmes de época continuam sendo produzidos. Eu costumo falar brincando, mas parece até verdade a afirmação de que os Oscar de figurino e direção de arte precisam ter 5 indicados, ao menos, e por isso esses filmes que compartilham todos do mesmo roteiro continuam sendo feitos, e em algum momento parece tudo a toque de caixa. Prestem atenção: nada é vagabundo, ou mal feito. Mas é tudo feito com esmero máximo em técnica, e esquecem do material humano, quase sempre. No caso de A Duquesa, existia até um excesso de material, já que a história real da nobre Devonshire poderia render não somente um, mas vários filmes. Mas como entregar um material desse porte a um diretor semi estreante como Saul Dibb? E será que Keira Knightley é a única intérprete de heroínas de época do momento? No fim das contas, fica tudo com a mesma cara, infelizmente.

Como dizia, a vida da duquesa de Devonshire merecia tratamento melhor, dada as circunstâncias incríveis em que ela se meteu, ainda mais se levarmos em conta a época vivida. Antes de qualquer coisa, é bom que todas saibam que a duquesa tem como descendente ninguém mais e ninguém que a própria Lady Diana Spencer, e como a sua parenta, também arrebanhou a simpatia e devoção de seus súditos por onde passava, pela beleza, elegância e carisma infinitos. Antes dos 18 anos, Georgiana é escolhida por um rico duque para ser sua ‘legítima esposa’, e acaba sendo desposada almejando romance e afeição, quando na verdade só terá cobranças e uma obrigação: a de gerar o herdeiro macho para o duque descansar em paz. Como bebê não vinha, Georgiana aproveitou tudo o que a corte poderia lhe oferecer: todas as festas, todas as excelentes companhias, todos os bailes... nenhum evento era completo sem sua presença esfuziante. Dona de incrível inteligência, falava sobre política como poucos homens e ousou tecer comentários não dirigidos a ela, além de criar verdadeiras manobras para seus ‘eleitos’ em potencial. Seu principal erro foi confiar demais nas pessoas, e ao levar para hospedagem na própria casa uma ex-nobre caída em desgraça, vê seu mundo ruir quando seu marido a troca pela outra, que além de tudo lhe dá o tal herdeiro.

Com história tão rica e cheia de entreatos, era de se esperar um cuidado maior com o roteiro e as interpretações, mas parece que Dibb só tinha em vista retratar o requinte e a ostentação dos ambientes, esquecendo do que se passava pelas almas cheias de deslizes dos personagens. Mesmo quando a duquesa se apaixona (também fora do casamento), parecendo que o roteiro enfim vai alçar vôo, logo a preguiça volta a tomar conta do ‘todo’, e continuamos acompanhando tal saga pelo simples fato de seus acontecimentos serem realmente muito interessante, nada disso culpa da realização.

Infelizmente, os nomes reluzentes do elenco também não foram o bastante pra trazer brilho real às interpretações. Como já dito, Keira Knightley ainda precisa de estofo pra encarar o ‘sem número’ de grandes personagens que vêm caindo em seu colo. Bem maquiada e vestida, Keira nada mais é que um excelente manequim exibindo melhor figurino. Como o duque frio, Ralph Fiennes demonstra tanta certeza de que faria um bom trabalho com personagem tão mal delineado, que acaba ficando na intenção. Hayley Atwell se sai pouco melhor como a ‘amiga da onça’, e Dominic Cooper nada mais é que um objeto de decoração. Charlotte Rampling não tem nenhum desafio com personagem tão raso. Ou seja, tem muito mais de ‘piloto automático’ no elenco do que se poderia imaginar.

O fim chega relativamente rápido, e praticamente nada do que se viu se mantém por muito tempo na retina. Fica sim (e na cabeça) a certeza de que material tão vasto poderia ter rendido infinitamente mais, nas mãos de um Stephen Frears da vida. Uma pena; e a duquesa de Devonshire continua sem ter grandes oportunidades perante a sociedade... a não ser que seu grande barato seja curtir um folhetim descartável e bem produzido. Se assim for, parece que você encontrou o produto certo aqui.

Cotação para este filme:
.....................................................................................................................................................

up | Cinema | Ir para todas as Críticas | Capa


2006/2008 © SCB - Sistema Crônicas Brasileiras de Radiodifusão Ltda -.
Todos os direitos reservados. - Matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores.
» + Canais | 2 Dedos de Prosa | Artes das Ruas | Caderno de Cultura | 1º Concurso Crônicas Cariocas 2008 | Cultura: agenda | Cultura: artes plásticas | Cultura: eventos | Cultura: meu clássico favorito | Cultura: show | Cultura: teatro | Cinema | Cinema Falado | Cinemão | Cinematógrafo | Luz & Sombras | Mise en Scène | Respirando Cinema | TelaGrande | Festival do Rio 2007 | Festival do Rio 2008 | Contos | Contos de Terror! | Convidado Especial | Copa 2014 | Cristo Redentor | CrônicasTur | Dicas de Moda | Dicas de Português | Editorial | Entrevistas | Esportes & Saúde | Exclusivo | HQ's & Fanzine | Infantil | Infantil| Infantil: english | Literatura | Meu Bairro | Música | Música & Voz - Tatiane Vidal | Oise - Joaquim Palmeira | Oise - Wilmar Silva | O Rio em P&B | Pan2007 | Poesias | Reportagens | RsRsRs | Crônicas Sociais | TvCB.
PARCERIAS