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Filme: A Troca
Original: Changeling
País de Origem: EUA
Duração: 135 min
Produtora: Imagine Entertainment
Distribuidora: Universal Pictures
Direção: Clint Eastwood
Roteiro:
J. Michael Straczynski
Elenco: Angelina Jolie, John Malkovich, Jeffrey Donovan, Michael Kelly, Jason Butler Harner, Amy Ryan.
Site: www.uip.com.br
Data de Estréia: 09/01/2009


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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» RIO DE JANEIRO, 7 de janeiro de 2009

A TROCA

Foto: Divulgação

Você sente que 2008 foi um ano bizarro quando ao menos um dos filmes dirigidos por Clint Eastwood foi um erro, quase na totalidade. São tantas as falhas a apontar que chega a constranger, afinal estamos falando de um diretor que têm nos acostumado com obras no mínimo fantásticas, quando não perfeitas. Olhando de trás pra frente vemos o luxo que foram seus 2 longas sobra a Segunda Guerra Mundial (A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima), sua espiação sobre o poder da culpa (Sobre Meninos e Lobos) e sua aula de delicadeza com os desvalidos do mundo (Menina de Ouro), além de sua bem-humorada visão sobre a longevidade (Cowboys do Espaço). Na primeira metade da década passada, ele nos entregou uma trinca de filmes que redefiniu sua carreira e o consagrou de vez atrás das câmeras: Os Imperdoáveis, Um Mundo Perfeito e As Pontes de Madison. Logo após isso ele nos deu um quarteto de filmes que iam do mediano (Poder Absoluto, Crime Verdadeiro) ao pavoroso (Dívida de Sangue), e passando pelo “projeto errado nas mãos erradas” (Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal); pois bem, esse sentimento volta a se repetir em A Troca.

É difícil imaginar algum diretor que pudesse ser menos habilidoso com essa história, tema e ambientação que Eastwood, que sempre se preocupa com uma visão prática e sem floreios da vida e do cinema, uma relação quase seca do homem com seu semelhante, despida de sentimentalismos baratos. Se levarmos em consideração que já a premissa apresentada aqui já é um ‘vale de lágrimas’, o que diabos Eastwood veio fazer por essas bandas? É bem claro seu desacerto com o material (melo)dramático e com a atmosfera que precisaria empregar por aqui; mesmo que se perceba em seu início uma clara intenção de homenagear os melodramas dos anos 50, o andamento demonstra um Clint inseguro, travado e incorrendo em péssimas soluções visuais e dramáticas para ambientar sua história.

A essa altura, a trama já virou ‘segredo de polichinelo’, mas vamos tentar resumir a quem não conhece: Christine Collins (Angelina Jolie) é uma mãe solteira apaixonada pelo pequeno Walter, que precisa ficar um sábado sozinho enquanto ela cobre a falta de uma colega sua, também telefonista como ela. Ao voltar pra casa a noite, o pesadelo: Walter sumiu, e assim continuará pelos próximos meses. Após o desespero tomar conta, Christine um dia recebe um telefonema da polícia avisando do reaparecimento do filho. Qual não é sua surpresa a não só constatar que o menino não é seu filho, como também ser obrigado pela polícia de Los Angeles a participar dessa farsa, em plenos anos 20! Com a corrupção e a violência desenfreadas, Christine só terá um apoio na jornada que irá empreender contra os que deveriam protege-la: o reverendo Briegleb (John Malkovich), que já empreende uma campanha contra os desmandos da polícia. Ao mergulhar na vontade cega de reaver seu filho, Christine será jogada num calvário interminável, onde apenas uma pista bizarra poderá faze-la ganhar alguma credibilidade aos que a chamam de louca.

Ao entrar na densa trama policial em si, percebemos como Eastwood relaxa e entrega cenas melhores e desenvolve seqüências criativas de fato. O que não diminui a ausência de impacto da primeira hora, nem o tamanho gigantesco do filme, que se prolonga muito além da conta. O filme sofre de um mal terrível, que é o de não saber nem quando nem onde terminar, fazendo com que a trama se arraste até quase o limite do insuportável.

Tecnicamente, o filme nunca ultrapassa o correto; musicalmente, Clint tem de parar de compor as trilhas de seus filmes, já que seus temas são cada vez mais repetitivos; do roteiro nem há o que falar, já que o filme é mais cheio de buracos que um queijo suíço, deixando milhões de pontas soltas durante o trajeto inteiro; e o elenco é de envergonhar. John Malkovich forçado, todo o ‘elenco policial’ fraco, e um menino criminoso particularmente ruim vão deixando tudo com uma cara ainda pior. Por incrível que pareça, o único lampejo de qualidade de A Troca vem da interpretação de Angelina Jolie, com uma carga dramática na medida. Observem: não se trata de uma indicação merecedora de uma indicação ao Oscar (algo que, de fato, está prestes a acontecer, infelizmente), apenas que Jolie fez seu trabalho com afinco e dedicação, chegando a comover em várias passagens, coisa que todo o resto da equipe nem tentou chegar perto. Inclusive Clint Eastwood, que quebra um pouco sua aura de infalível ultimamente por um filme que não o merecia, e vice-versa.

Cotação para este filme:
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