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Título do Filme: O Curioso Caso de Benjamin Button
Título Original: The Curious Case of Benjamin Button
País de Origem: EUA
Duração: 155 Minutos
Produtora: Paramount/Warner
Distribuidora: Warner
Direção: David Fincher
Roteiro: Eric Roth & Robin Swicord
Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P. Henson, Julia Ormond, Jason Flemyng, Jared Harris, Elias Koteas, Tilda Swinton.
www.warnerbros.com.br
Data de Estréia: 16/01/2009


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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» RIO DE JANEIRO, 16 de janeiro de 2009

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Foto: Divulgação

Tac-tic, tac-tic, tac-tic, tac-tic. Um relógio construído propositalmente ao contrário, a dor de um pai, a fuga de um homem. Em 10 minutos, conhecemos através de um pequeno prólogo a síntese do novo filme de David Fincher, um dos cineastas mais festejados da nova geração. Esse seu terceiro encontro com Brad Pitt produz mais uma sensacional realização da parte de ambos, dois artistas inquietos e sempre correndo atrás de dar continuidade a uma veia autoral pulsante, juntos ou separados. Reza a lenda que ambos corriam atrás de um roteiro que pudesse reuni-los pela terceira vez, e acho que não poderiam ter escolhido momento ou projeto melhor, que talvez venha a consagrar de vez essa parceria. E Fincher não economizou no talento para colocar nas telas essa adaptação do conto de F. Scott Fitzgerald escrito no início do século passado, mas que pode ser encaixado no contexto de qualquer época, sendo uma fábula tão fantástica quanto encantadora.

Depois de correr por Hollywood por mais de uma década, o roteiro escrito por Robin Swicord foi re-desenvolvido por Eric Roth (Forrest Gump e O Informante), e aí passou pelas mesas de gente como Steven Spielberg e Spike Jonze, até chegar a Fincher, que há pelo menos 6 anos corre atrás dos direitos de filmar o conto. Como o desejo de se reencontrar com Brad Pitt, seu astro em seus 2 filmes de maior repercussão (Seven e Clube da Luta) era mútuo para o astro, a rica vida do homem que nasce com a aparência de um octagenário e durante a vida se vê rejuvenescer incrivelmente foi essencial para uni-los de novo. E de fato ambos entregam nova obra-prima, repleta de significados e observações para quem mantém o tempo como principal mola motivadora e/ou desafiadora.

O desafio de contar essa história arrebatadora somente seria possível com a ajuda da melhor equipe técnica possível, e ela foi contratada. A luz de Cláudio Miranda, a montagem da dupla Angus Wall e Kirk Baxter, os figurinos de Jaqueline West, a magnífica trilha de Alexander Desplat, sobretudo a maquiagem e aos efeitos especiais, que se misturam e se completam num quadro orgânico e maravilhoso. Tudo isso alinhada a um dos melhores ‘casts’ da década, onde Brad Pitt volta a impressionar, onde Taraji P. Henson confirma o talento visto em Ritmo de um Sonho, onde Tilda Swinton encanta, onde Julia Ormond e Jared Harris emocionam, onde no meio disso tudo, Cate Blanchett ainda consegue reinar como a melhor em cena, num dos trabalhos mais impressionantes e extraordinários de sua já extraordinária carreira.

Particularmente me afetei muito com que vi na tela, Uma alegoria que entra imediatamente numa lista dos mais impressionantes filmes do ano, cheio de motivos também particulares e delicados para tratar de um tema tão caro pra mim, e na qual acabei me identificando de maneira ímpar, uma crônica romântica que usa a passagem da vida como a grande vilã dos que tem pressa.. Pressa de viver, sede de amar, vontade de estar em tantos lugares numa mesma hora, e que no afã disso tudo, de toda a angústia que isso acarreta, não percebe que o tempo continua passando alheio a nós, e que se não aproveitarmos, vivermos, amarmos o máximo possível, tudo terá sido em vão. É essa consciência que Benjamin tem desde cedo, crescendo no asilo onde foi abandonado bebê (e velho ao mesmo tempo), desde sempre convivendo com o fim da vida no que parece ser o início da sua. No auge de sua “adolescência de terceira idade”, resolve partir do local e da mãe que o criou para viver o sonho de qualquer juventude, viajando pelo mundo a bordo de um navio. Adquirindo experiência na idade onde já deveria te-la de sobra, Benjamin vive seu primeiro romance sem jamais esquecer a imagem que o perturba: Daisy, uma jovem bailarina que ele abandonou na ‘mocidade’. A mais bela mulher que ele já pôs os olhos, sob a qual ele jamais teria condição de expressar seus sentimentos. A não ser que...

O tempo, sempre ele. Apesar de não queremos, ele passa. E Daisy irá se encontrar muitas vezes com Benjamin, algumas por acaso, outras em busca de tentar compreender a atração que nutre por aquele ser fantástico. Em algum momento, o amor entre eles irá desabrochar irremediavelmente. E junto com ele, a certeza que o tempo é o senhor de tudo, que perto dele todos somos pequenos e que devemos nos valer apenas dos encontros nessa vida, já que ela é tão cheia de partidas e despedidas. A certeza de encontrar alguém especial às vezes é forte o suficiente para vivermos à espera, e ao casal Benjamin e Daisy basta ter a certeza do forte sentimento que os une para sempre. Está certo, nem ele vencerá o tempo, mas através dele é que se pode criar a mágica de pará-lo, e através desse fenômeno podermos viver o êxtase de cada dia, até quando tudo for somente lembranças, e quando nem isso for mais.

Cotação para este filme:
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