» FICHA TÉCNICA |

Título do Filme: Foi Apenas um Sonho
Título Original: Revolutionary Road
Idioma: Inglês
Duração: 120 Minutos
Produtora: DreamWorks
Distribuidora: Paramount Pictures
Direção: Sam Mendes
Roteiro: Justin Haythe
Elenco: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Kathy Bates, Michael Shannon, David Harbour, Kathryn Hahn, Dylan Baker.
Data de Estréia: 30/01/2009


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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» RIO DE JANEIRO, 30 de janeiro de 2009

FOI APENAS UM SONHO

Foto: Divulgação

Algumas coisas nunca mudam. Por mais que minha loucura com o cinema só tenda a crescer (sim, ainda tem mais a crescer), por mais que minha paixão já devesse ter sossegado algumas atitudes minhas, por mais que eu consiga racionalizar mesmo em cima dessa minha adoração pela Sétima Arte, alguns projetos ainda tem o poder de me tirar do eixo, e me manter nivelado ao público comum, que vê o “cinema como a maior diversão”. O novo filme de Sam Mendes (da tríade perfeita Beleza Americana, Estrada para Perdição e Soldado Anônimo) me fazia crer que estaria de frente a uma obra-prima desde o anúncio de suas filmagens; seu nome dirigindo o reencontro de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet num drama completamente diferente do épico Titanic, baseado num original de Richard Yates, o homem que traduziu tão bem o fim do sonho americano. Tudo reluzia demais no filme, e mesmo quando as críticas negativas começaram a aparecer, eu acreditava que seria o único capaz de reconhecer as nuances e matizes do projeto. Pois bem, caí do cavalo... e pior: sinto muita pena.

Infeliz(ou feliz)mente, eu olho para todos os lados e só vejo talento; apenas o roteiro fede, e muito. Justin Haythe deveria ser banido do sindicato dos roteiristas, para que fossemos impedidos de assistir novos longas roteirizados por essa criatura, quase capaz de destruir uma excelente adaptação. Os esforços de Mendes, de todo o excepcional elenco e da ótima equipe técnica são sabotados o tempo todo por diálogos cretinos, cenas pavorosas de tão mal concebidas, expondo todos a soluções vexatórias, além de situações absurdamente arbitrárias. Exemplo: onde estão os filhos do casal nas inúmeras cenas de brigas pesadas, e porque eles só aparecem quando é conveniente à trama? E porque as cenas iniciais do filme são tão milimetricamente programadas que tudo acaba se tornando falso? E o pior: o espectador é tão burro que precisa de um personagem como John Givings para detalhar cada pensamento dos protagonistas?

Como disse, é muito triste acompanhar o desenrolar de tal roteiro, principalmente quando olhamos para os lados e vemos todo o resto do filme em estado de graça. Como Leo e Kate, que interpretam o casal Frank e April Wheeler, que estão com uma crise aparamentemente irremediável no casamento, e depois de muita agressão verbal chegam a uma possível saída: uma fuga para Paris, afim de Frank descobrir sua verdadeira vocação (e escapar de um emprego medíocre) e April experimentar a liberdade que ela nunca teve, nem mesmo quando tentou ser atriz (sem sucesso). Mais que tudo, eles estariam escapando da vida em um ‘sonho anericano’ e partindo para um tão sonhado recomeço, tentando se tornar o casal que todos não cansam de invejar e elogiar. No que talvez seja o único aspecto criativo do roteiro, há uma interação entre os Wheeler e um casal de vizinhos que vivem as regras da sociedade hipócrita vigente; se investisse com afinco nessa vertente o filme seria aí sim mais interessante. Infelizmente como já disse, tudo não passa de brilho isolado, que o fraco roteiro não deixa unir. O personagem já citado de Michael Shannon (em contrasenso com sua função na trama, excepcional em cada momento)... qualquer que seja a resposta para sua função, atenta contra o roteiro do filme.

Muitos aplausos a Sam Mendes, que consegue manter digno um filme com um aspecto negativo tão forte, e conta com profissionais tão extraordinários ao seu lado. Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Michael Shannon, Kathryn Hahn, David Harbour, Roger Deakins (fotógrafo), Kristi Zea (cenógrafa), Thomas Newman (músico)... pelo menos esses tem a intensidade de mil sóis, e ilumina o que o retalho de roteiro jamais consegue fazer.

Cotação para este filme:
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