KATYN
Foto: Divulgação

Chegando com um atraso de mais de um ano pra gente, o diretor Andrzej Wajda nos entrega nova produção depois de anos fora do ar. O grande nome polonês até já tinha ganhado um Oscar Honorário há 5 anos atrás, pela sua obra política, por seu rigor autoral e por sua trajetória ímpar na Sétima Arte. Confesso que pouco tive contato com sua trajetória, mas há poucos anos consegui ver sua trilogia essencial: ‘Kanal’, ‘Cinzas e Diamantes’ e , que exemplificam perfeitamente todo seu extremo talento e preocupação em ser relevante em qualquer época. Não é a toa que o cinema americano nunca o reconheceu, e apenas alguns nomes mais politizados, como Jane Fonda, Jon Voight e Warren Beatty mantiveram posturas favoráveis a seu talento sem igual.
Só que o ‘cinema de Holocausto’ pode fazer milagres, e Wajda nos entrega finalmente um filme novo que conseguiu inclusive concorrer ao Oscar de filme estrangeiro no ano passado (e perdendo para outro longa também situado em uma passagem da Segunda Guerra Mundial, o austríaco ‘Os Falsários’, ainda inédito, porém prestes a estrear). Então depois de décadas praticamente recluso, Hollywood foi descobrir sua importância numa produção assumidamente ‘menor’. Apesar de também ele ser uma vítima dos horrores em Auschwitz, já que perdeu os pais no lendário campo de concentração, Wajda por não construir uma alegoria como de costume, e assume a construção de um filme extremamente didático, cujo mote é responsável pelo pouco sucesso que o filme consegue ter.
‘Katyn’ (o filme) mostra um episódio real ocorrido durante a Segunda Guerra, onde Katyn (a floresta) foi cenário de um horripilante massacre cometido por oficiais soviéticos que seria restrito a soldados e militares poloneses, mas acabou também dizimando famílias inteiras de civis, todos devidamente queimados e enterrados depois na mesma floresta. Foi essa notícia que chegou anos depois a uma mulher que cria a filha sozinha, após o marido ter sido preso pelo exército soviético. Ela não tinha nenhuma garantia de que seu marido estaria ou não na lista de mortos do massacre (apesar dele também ser um militar, porém polonês), mas confiando em sua intuição, começa uma busca pelo homem que ama e julga estar vivo. Quando encontra um outro militar quer teria sido um grande amigo de seu marido, eles juntos lutarão para descobrir a verdade.
A toda a essa trama, o esmero da produção é evidente, o talento e a boa mão do cineasta está lá, mas o roteiro burocrático, quase chato, uma estrutura um tanto quanto óbvia, permeia o tempo todo. A grande fotografia não ajuda e a trilha sonora também muito eficiente não tem muito o que fazer diante do quadro geral; afinal, porque um grande roteiro não foi escrito? Porque Wajda permitiu-se filmar algo tão esquemático?
Ao final, a impressão é que o poder do episódio real mexeu com o cineasta de 82 anos, que parece ter construído todo o filme ao redor da cena, tanto que se despede com o que têm de melhor: a reprodução realista e cheia de impacto de tudo o que aconteceu. É a melhor seqüência do filme, e onde finalmente vemos seu talento reluzindo de maneira incandescente.
Cotação para este filme:
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