Crônicas Cariocas 
 
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» Ficha técnica - Título do Filme: Os Falsários. Título Original: Die Fälscher. Idioma: Alemão/Russo/Inglês. Duração: 95 min. Produtora: Magnolia Films. Distribuidora: Europa Filmes. Direção & Roteiro: Stefan Ruzowitzky. Elenco: Karl Markovics, August Diehl, Devid Striesow, August Zirner Data de Estreia: 29/05/2009. www.europafilmes.com.br

Os Falsários

Rio, 27.05.09 | Mais de um ano após a premiação, o vencedor do Oscar de filme estrangeiro do ano passado finalmente aporta por aqui dando certeza à desconfiança geral: 2007 foi uma bela de uma porcaria para o cinema do mundo, tirando o brasileiro e o americano. Nós tivemos “O Cheiro do Ralo”, “Tropa de Elite”, “Mutum”, “Querô”; eles tiveram “Sangue Negro”, “Natureza Selvagem”, “Não Estou Lá”, “O Assassinato de Jesse James”... e o resto do mundo teve apenas a Romênia e seu “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, porque se formos tirar pelos 5 indicados da categoria onde “Os Falsários” saiu vencedor, o ano tava brabo, a começar pelo próprio vencedor. “Katyn”, “Beaufort”, “O Guerreiro Gengis Khan”, “12”, nenhum deles vale a indicação que conseguiram, cujo único vencedor digno seria de fato o longa metragem romeno citado. Mas o preconceito milenar dos votantes da Academia impediu Cristian Mungiu até de conseguir a óbvia indicação merecida, e o mundo levou esse pacote de filmes desenxabidos para casa.

O cineasta Stefan Ruzowitzky acabou levando um Oscar inédito ao seu país, mesmo que seu currículo esteja recheado de filmes considerados ‘ruins’. Aqui, ele não faz nada além do burocrático esperado para contar a enésima história real de sobrevivência entre judeus na Segunda Guerra Mundial. Sem querer parecer anti-semita, a verdade é que poucos têm o talento de um Steven Spielberg ou de um Roman Polanski na hora de conduzir seus ‘Schindlers’ ou ‘Pianistas’ particulares. E na certeza de que absolutamente qualquer trabalho do gênero (caso bem ‘marketeado’) consegue mais do que a simpatia dos velhinhos que ainda ocupam grande parte dos votantes da Academia, Ruzowitzky adaptou uma história até bem curiosa, mas da qual ele apenas tira o óbvio, nunca conseguindo surpreender, arrebatar ou mesmo envolver o espectador; fica a trama intrigante como sendo a única responsável pelo mínimo de interesse do filme.

O judeu Salomon Sorowitch consegue um feito praticamente inédito durante a ocupação nazista: considerado o maior falsificador alemão da época, ele saiu de um campo de concentração e conseguiu status de ‘intocável’ dentro do exército alemão, juntamente a um grupo que forma com um intuito muito importante: falsificar dólares para o inimigo, afim de que eles continuassem tendo suporte durante a guerra. A inacreditável história real contada pelo filme mostra como esse grupo ascende socialmente dentro das possibilidades mostradas, e como esse mesmo grupo enfrentou a crise de consciência de se manter vivo, enquanto seus pares eram exterminados graças em parte a ação deles.

Como eu disse, apenas o inusitado do enredo sustenta o interesse, já que nada no filme é especial, e nosso diretor faz questão de manter tudo dentro do limite do esperado, sem nenhuma grande explosão de criatividade ou talento. O protagonista vivido por Karl Markovics é até uma boa presença em cena, mas nada que um ator ainda melhor escalado não fizesse de forma ainda mais intensa. Fica a certeza de que o ano passado realmente a categoria estava tomada pela mesmice crônica, até porque já vimos “Valsa com Bashir” e “Entre os Muros da Escola”, 2 obras-primas indicadas esse ano. E o vencedor “A Partida” ainda vem aí...

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