A Partida
Foto:Divulgação

Rio, 04.06.09 | Antes de qualquer coisa, um aviso: na legenda de abertura de ‘A Partida’, o título do filme aparece grafado de maneira diferente, ‘Partidas’. Talvez durante a crítica abaixo eu deixe claro o quão melhor teria sido esse título escolhido.
Dito isso, começo a escrever sobre o filme japonês vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro desse ano (o último filme que faltava estrear da seleção desse ano), num extremo oposto da crítica que escrevi sobre ‘Os Falsários’, o vencedor do ano passado. Enquanto no ano passado, o vazio se fez presente na categoria, com a quase totalidade dos filmes sem nenhum esboço de pretensão ou mérito, o lançamento anterior de 2 perdedores já davam o tom da competição: ‘Entre os Muros da Escola’ e ‘Valsa com Bashir’, simplesmente duas obras-primas. Se o filme de Yojiro Takita não chega a ser superior a nenhum dos dois, pelo menos o filme é digno o suficiente para ser premiado e não haver nenhuma desconfiança em relação a sanidade dos que premiam.
Sem contar que conseguimos entender completamente a premiação do filme, já que ele é um manancial de emoções, coisa que nenhum dos indicados o é. Uma história tocante, conduzida com mão delicada, com boa trilha, bom elenco e ótima produção, não tinha como ser diferente. Além de tudo, o filme remete a clássicos do cinema japonês de Akira Kuriosawa, por exemplo. Com palheta de cores mais diversificada em sua foografia, o filme segue a tradição de um ‘Madadayo’ ou mesmo ‘Rapsódia em Agosto’. Para platéias mais jovens, fica a mensagem da modernidade x tradição, numa versão mais atualizada e ampla.
O jovem Daigo Kobayashi é um músico frustrado que acaba de perder o emprego na orquestra que tocava, que foi dissolvida. Sem ter como pagar o violoncelo que toca, ele o vende e volta com a esposa para a cidade do interior onde nasceu e de onde tinha saído há anos. Na tentativa de arrumar um emprego estável, ele acaba conferindo um anúncio por engano, onde precisaria fazer a assepsia em cadáveres, numa espécie de ritual local de despedida para entes queridos. Numa reviravolta, Daigo aceita o emprego e começa a trabalhar escondido até mesmo da própria mulher, incomodado com a vergonha que tal ocupação possa causar. Aos poucos, passa a ter respeito pela atividade a ponto de questionar sua vocação para música, passando por uma série de provações que podem determinar uma decisão final.
O único ‘senão’ do filme é sua duração longa sem nenhuma necessidade, onde mesmo os 15 minutos finais poderiam ser suprimidos sem nenhuma perda de interesse ou compreensão do todo, fazendo apenas bem ao filme. De qualquer maneira, é mesmo um projeto que preza pela emoção, e da qual poucos sairão livres das lágrimas inevitáveis. Uma bela história sobre segundas chances, difíceis decisões e nosso posicionamento na sociedade de hoje, ‘A Partida’ é um libelo diferente sobre o ato de quebrar regras comum a todo jovem de maneira pouco usual, porém muito eficaz.
Cotação para este filme: