Divã
Marta Medeiros escreveu Divã não como um romance, mas como uma novela curta, numa transição entre a crônica e a ficção, como a própria autora define. Adaptada para o teatro, a peça foi vista por mais de 175 mil pessoas ao longo de 150 apresentações. Depois do estrondoso sucesso no teatro, a atriz Lilia Cabral, que protagonizou e adaptou o texto, se juntou ao diretor José Alvarenga Jr. e ao roteirista Marcelo Saback para levar a história para o cinema.
No filme, Lilia Cabral vive Mercedes, uma quarentona, casada, mãe de dois filhos e supostamente feliz. De repente, para satisfazer uma curiosidade, passa a frequentar um psicanalista, que funciona como uma espécie de interlocutor mudo, porém, indispensável. A princípio, Mercedes duvida que precise de ajuda de um profissional, mas conforme as indagações vão surgindo, se depara com um mundo totalmente diferente do vivido por ela até ali. E assim, seu cotidiano muda e faz surgir um mundo de desafios e experiências.
Quando Mercedes percebe que tudo pode ser além daquilo que a deixou paralisada no tempo por tanto tempo, recria sua história e abraça as diferentes possibilidades que se abrem. Momentos intensos e inesperados são a mola propulsora da nova mulher que passa a existir. Aliás, as várias mulheres que habitam o seu ser. Assim, ele consegue ser a apaixonada, a ciumenta, a sensual, a sexual e a amiga, sem deixar escapar a maturidade de uma jovem senhora de 40 anos.
O elenco está entrosado. Alexandra Richter, que vive Mônica, a melhor amiga de Mercedes, está perfeita. José Mayer (como o marido Gustavo) numa ótima interpretação, e os galãs Reynaldo Gianecchini e Cauã Reymond dão conta do recado. Ainda tem a participação de Helena Fernandes, como a socialite plastificada Shirlene, também ótima.
Mulheres irão se identificar facilmente com este filme, e os homens, se tirarem o preconceito, aproveitarão uma ótima oportunidade para conhecer um pouco da alma feminina. |