Segunda-feira diferente
Dia desses comentei aqui, neste espaço, minha chateação em penar no centro da cidade, no horário do “pegapracapá”, tentando resolver alguns embaraços. Tudo bem. Hoje, quero me redimir. Fui ao centro, na hora do pegapracapá, e não me senti infeliz. Sabem por que? O motivo que me levou ao centro da cidade, não era o mesmo daquele dia. Fui ao centro, não para resolver problemas, mas, para receber resultados de problemas resolvidos. Notaram a diferença? Imaginem: segunda-feira, dia internacional da preguiça, vocês sabem que após um feriadão a preguiça está elevada à décima potência, e eu, feliz, andando pela Cinelândia, podendo admirar toda a beleza da cidade. Tomei um chopp na Senador Dantas e fui andando pela Treze de Maio. Meu destino era a Marechal Câmara. Na volta, fiz um caminho diferente. Andei até a Praça XV, enveredei pela Assembléia e, fui andando, devagar, sem compromisso. Baseado na experiência anterior, em que não consegui uma vaguinha para o meu “possante”, resolvi ir ao centro da cidade de ônibus. Foi a idéia mais inteligente que tive nos últimos dez anos. Sem a preocupação do automóvel, você pode entrar em qualquer rua que der na telha, e ir observando o que mudou na cidade. Não precisa ir jogando milho no caminho para não esquecer onde deixou o veículo. Não riem, isto já me aconteceu. Só eu sei o que passei procurando meu fusca na São José e ele estava bem sossegado na Carioca. Mas, hoje não, foi legal pra caramba. Quando dei por mim já eram dezoito horas. Aí que me lembrei de um amigo, que trabalha - é o que ele me diz - na Listas Oesp, próximo a Rua do Passeio, inclusive já marcamos inúmeras vezes uma chopada. Como nem eu sabia que ficaria perambulando por tanto tempo por aquela parte mais gostosa do Rio, resolvi não telefonar para esse amigo, e tratei de pegar minha condução no Terminal Menezes Cortes. Só posso dizer uma coisa: O Rio de Janeiro continua lindo.
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Edejás de Oliveira é escritor
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