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» RIO DE JANEIRO, 7 DE MARÇO DE 2007

Com mostarda e catchup!

A frase "tudo acaba em pizza" está sumindo do vocabulário carioca. Não pela situação do país que nada resolve mas pela situação caótica dos acompanhamentos tradicionais de nossas pizzas em todos os bares e restaurantes.  Parece praga mas é a dura realidade: aposto contigo que se fizerem alguma pesquisa de consumo de pizzas, comprovarão que os números sofreram um decréscimo monumental.

É tanta marca nova que me perderia na lista. Também não tenho intenção nenhuma de fazer merchandising (nem tenho certeza de como se escreve isso, quanto mais praticar!) dessa ou aquela marca. Tenho certeza que você identificará qual é qual quando eu me puser a descrever aquela mostarda que mais parece gelatina aguada e nem tão amarela. Tem aquela outra, cor de diarréia de bebê. E aquela que sai daqueles envelopinhos cuspindo como se fosse um homem em pleno gozo – gozo amarelo pálido! E os sabores? Verdade seja dita, nenhuma delas tem gosto de nada parecido com mostarda.

Os catchups variam do quase marrom ao vermelho vivo, com sabores variados: "nada parecido com o que eu conheço", "purê de tomate destemperado", "mingau de maisena com extrato de tomate vagabundo" e tem aquele, quase meu preferido: "só tenho a cor mas não sou nada"!

Não posso deixar de comentar os envelopinhos por onde chegam essas preciosidades da gastronomia. Tem envelope "nem com bala de fuzil eu me abro", "tenho o corpo fechado", "o fio da sua faca não me causa arrepios", "você me deforma mas não me estoura",  "morde mais" e o mais terrível de todos para o universo feminino: "não vem não que eu quebro a sua unha".

Quem, como eu, tem a sorte de contar com um par de mãos morenas e libidinosas para fazer uma boa pizza de batatas caseira, com sua opção de marca para os molhinhos santos, que as guarde bem. Daqui a mais alguns meses, o que veremos serão pizzas  sem aquele apimentadinho que faz o gole do chopp escorregando pela sua goela, parecer mais gelado do que está.

Pra falar a verdade nem sei se o que temos pode ser chamado de pizza ou papel de farinha fingindo ser pizza. É essa modernidade de Internet a culpada de tudo: "fakearam" a pizza inteira!

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    *Elida Kronig


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