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» RIO DE JANEIRO, 23 de NOVEMBRO DE 2007

BRILHANTE!

Quarta série primária, festa para o Dia das Mães.  Minha escola preparava todas as festas como um grande evento.

Dois meses antes, a professora de Educação Física começou a nos preparar para a apresentação. Seria um grande desafio reunir as duas turmas da quarta série e as três turmas da quinta série. Espaço nós tínhamos, nossa quadra era bem grande, cercada de arquibancadas com numerosos degraus.

Os tempos vagos eram aproveitados para os ensaios. Ficávamos lá ensaiando as marcações e os movimentos da ginástica artística: braço direito pra cima e perna esquerda levantada pelo joelho, troca as posições dos braços e pernas, repete o movimento uma, duas, três, quatro. Dá uma girada para a esquerda e mudava o movimento. Era uma sucessão de movimentos de braços, pernas, cabeça, quadris e muitos rodopios, sempre marcados... Um, dois, três, quatro...

No momento oportuno, a professora marcou um ensaio geral. Não gostei porque ela marcou para o horário da tarde, eu estudava de manhã. Fui, gravei minha posição no meio daquele monte de meninas - nossa escola não aceitava meninos naquela época. Ensaiamos os movimentos por dez vezes seguidas. Ao final, estávamos todas exaustas e enjoadas de tanto ouvir "Alone again".

Chegou o grande dia. Levamos rosas para entregarmos às nossas mães no final da apresentação. Hora da apresentação. Quadra lotada de mães, pais, avós, tias, primos, primas, madrinhas, amigas e vizinhas. Todas as famílias compareciam em peso e levavam uma lista interminável de convidados para participarem das festas. O dinheiro arrecadado seria gasto em melhorias na escola e compra de materiais para as alunas.

Começa a ecoar a música. Um, dois, três, quatro, um, dois, três, quatro... Na terceira contagem eu não lembrava de mais nada. As meninas viravam para um lado, eu ia para o outro. No movimento que tínhamos que abaixar, eu dava um salto. Todas iam para a direita, eu ia para a esquerda, atrapalhando as colegas que estavam ao meu redor. Notando que alguma coisa de muito errada estava errada com meus passos, decidi imitar minhas colegas. Não adiantou, eu estava sempre atrasada nos passos.

No final da apresentação, minha mãe apenas me disse:
- Pensei que não ia achar minha filha no meio de tantas alunas, mas achei você muito fácil. Acho que todos também notaram bastante a sua apresentação.

Muitos pais vieram me prestar apoio. Notei que não só "brilhei" como ofusquei as colegas de apresentação.

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    *Elida Kronig


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