A FORMIGUINHA E AS ASAS DE CERA
Era uma vez uma formiguinha que teve vontade de voar. Foi até uma colméia de abelhas e recolheu dali um pouco de cera. Depois ela moldou um par de asas e colocou às costas. Vendo que estava tudo perfeito resolveu experimentá-las. Subiu num elevado e se jogou no espaço. Qual foi sua surpresa e alegria quando sentiu que estava realmente voando.
Eufórica, ganhou altura e se dirigiu cada vez mais para o alto.
Quando chegou perto das nuvens, sentiu que estava muito quente. Era o sol que apareceu detrás de uma nuvem. Tarde demais. Sentiu que as asas não lhe obedeciam mais e viu-se caindo sem controle.
Por sorte, caiu em cima de uma folha e nada lhe aconteceu.
Indignada com aquilo, resolveu protestar. Dirigiu-se ao sol e foi logo dizendo:
“Ô Sol, porquê és tão mau, que derretestes minhas azinhas de cera?”
E o sol respondeu:
“Ora... pior do que eu é a nuvem que me tapa...”
A formiguinha ficou em dúvida e se dirigiu a nuvem:
“Ô Nuvem, porquê é que você é tão má, que tapa o Sol, o Sol que derreteu minhas azinhas de cera?”
E a nuvem respondeu:
“Isso não é nada... Pior é o Vento que me carrega...”
Ela, então, procurou o vento e lhe perguntou:
“Ó Vento, porquê és tão mau que carregas a Nuvem, a Nuvem que tapa o Sol, o Sol que derreteu minhas azinhas de cera?”
O vento então lhe disse:
“Ora, Formiguinha... pior do que eu é a Montanha que me prende...”
Então, ela foi até a montanha:
“Ó Montanha, você que é tão grande, porquê é tão má, que prende o Vento, o Vento que carrega a Nuvem, a Nuvem que tapa o Sol, o Sol que derreteu minhas azinhas de cera?”
A montanha respondeu:
“Pior do que eu é o Rio que me corrói, levando minhas entranhas e terras para o fundo...”
A formiguinha foi até o rio:
“Ô Rio, porquê és tão mau, que corróis a Montanha, a Montanha que prende o Vento, o Vento que carrega a Nuvem, a Nuvem que tapa o Sol, o Sol que derreteu minhas azinhas de cera?”
O rio, tranqüilamente, respondeu:
“Formiguinha, pior do que eu é o Peixe que me usa e abusa, bebe e suja minhas águas.”
A pobre formiga foi até o peixe mais próximo:
“Ó Peixe, porquê és tão mau, pois sujas as águas do Rio, o Rio que corrói a Montanha, a Montanha que prende o Vento, o Vento que carrega a Nuvem, a Nuvem que tapa o Sol, o Sol que derreteu minhas azinhas de cera?”
O peixe então disse:
“Pior do que eu é a Serpente que me pesca...”
A formiga já meia cansada com aquela história foi até a serpente:
“Dona Serpente, porquê és tão má, que pescas o Peixe, o Peixe que suja o Rio, o Rio que corrói a Montanha, a Montanha que prende o Vento, o Vento que carrega a Nuvem, a Nuvem que tapa o Sol, o Sol que derreteu minhas azinhas de cera?”
Então a serpente respondeu:
“Pior do que eu é o Jacaré que me come.”
Mais cansada ainda a formiga procurou o jacaré e lhes perguntou:
“Jacaré, porquê és tão mau, que comes a Serpente, a Serpente que pesca o Peixe, o Peixe que suja o Rio, o Rio que corrói a Montanha, a Montanha que prende o Vento, o Vento que carrega a Nuvem, a Nuvem que tapa o Sol, o Sol que derreteu minhas azinhas de cera?”
Amedrontado, olhando para os lados, o jacaré disse à formiga:
“Pior do que eu é o Homem que me caça...”
Já nervosa, a formiguinha foi atrás do homem até achá-lo:
“Ó Homem, porquê és tão mau, que caças o Jacaré, o Jacaré que come a Serpente, a Serpente que pesca o Peixe, o Peixe que suja o Rio, o Rio que corrói a Montanha, a Montanha que prende o Vento, o Vento que carrega a Nuvem, a Nuvem que tapa o Sol. O Sol que derreteu minhas azinhas de cera?”
Com a cara mais cínica do mundo o homem respondeu:
“É... Eu sou tão mau, mas tão mau mesmo que te mato...”
E com a ponta do polegar esmagou a pobrezinha sobre a pedra, deixando-a sem vida.
Moral da história... E precisa falar?...
FIM
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