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» rio de janeiro, 6 de novembro de 2007

A TROCA DE VALORES (parte 7)

Polícia,  sangue derramado - O número absurdo de
policiais mortos em emboscadas.
As leis que deviam mudar - O número crescente da violência

Segue-se a onda de horror nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, isso sem falar de outras cidades. Dia-a-dia se ver a audácia de bandidos à caça de policiais.

O medo já é freqüente no meio do contigente de nossas forças militares, isso mais fortemente na nossa polícia militar e civil. Os canais de televisão, nos seus programas policiais, cansam de mostrar: invasões às delegacias por bandidos fortemente armados que metralham matando homens no cumprimento de seus deveres. Atacam viaturas, postos policiais em qualquer lugar da cidade disseminando morte e terror entre as forças policiais.

Por ano, as estatísticas apontam o avançado número de mortes de policiais a serviço da nossa segurança. E a cada dia aumenta o número destas estatísticas.

O que está acontecendo em nosso país? Onde já se viu isso? Onde está o respeito pelas autoridades e pelo nosso poder militar? Será que está virando a casaca, que o poder absoluto está nas mãos dos bandidos? E qual será o remédio, se é que ainda há, para isso?

Em São Paulo foram atacados mais de dez postos policiais em diversos pontos da cidade. Vários mortos. Os bandidos fugiram todos. E o que se fez a respeito? Quais as medidas tomadas para repreender essas ações?...

Até agora não se sabe o que está sendo feito. Não deveriam mudar as leis? Fazer com que essas leis sejam mais fortes e impor, mesmo pela punição, o respeito pelas autoridades e por essas mesmas leis?

Até quando o cidadão honesto e trabalhador que cuida da sua vida e paga seus impostos em dia, e às vezes até altos, vai deixar de sentir medo de sair nas ruas, se sentir seguro?

A população está também revoltada. Alguns protestam com passeatas, faixas, chorando seus mortos. Outros tentam tomar a lei em suas mãos, fazendo justiça pelas próprias mãos. Entram em delegacias, retirando presos dali e linchando-os sem dó nem piedade. E a qualquer hora podemos ver uma revolução civil de cidadãos contra bandidos. Cansados de ser vítimas, cidadãos podem se unir e se armarem contra os bandidos e tomarem as leis em suas mãos.

Aí veremos a polícia cassar cidadãos? Pode acontecer.

Os policiais não podem andar fardados nessas cidades. O risco de serem mortos é grande.

É fácil o bandido identificar o policial fardado. É fácil seguí-lo e emboscá-lo como já aconteceu com muitos. Seja em serviço, na volta para casa ou ida para o quartel, em coletivos ou mesmo em carros particulares. O fato é que a farda identifica o policial ao bandido, enquanto que o policial não pode identificar o bandido. Eles não usam fardas e nem têm letreiro na testa. Podem estar ao seu lado, no meio de uma calçada, caminhando ao lado do policial e/ou do cidadão. O que identificaria o bandido seria a arma que geralmente está escondida, a má índole que está na cabeça dele. Então, como identificar o bandido? Se ele só é bandido no momento que entra em ação? Como reagir prontamente ao ataque deles com segurança se a vantagem está sempre ao lado do bandido quando ataca primeiro? É difícil. Por isso é que há tantas emboscadas, causando tantas mortes de policiais em geral.

O número de policiais mortos, sejam civis ou militares, é absurdamente enorme. A cada ano esse número aumenta.

A tendência é que o jovem, ao pensar em entrar para a polícia, pense muito nessa decisão. O salário já não é grande coisa e o risco de morrer está a cada dia maior.

E o crime organizado a cada dia mais organizado.

Não se sabe onde irá parar...

Como já se falou a respeito, muitas leis são fracas, inconsistentes. Outras, está provado, estão obsoletas. Tem-se que mudar algumas leis. Tem-se que renovar algumas outras. O crime está atingindo e muito ao menor.

Muitos crimes hediondos estão sendo executados por menores, e às vezes até a mando de maiores por saber que a punição não atinge os menores delinqüentes.

Disso eles se aproveitam e encomendam assassinatos, roubos, assaltos, seqüestros e outros tantos crimes de teor igual.

O que se tem de fazer é revigorar leis que coíbam esses menores de infringi-las, seja por respeito ou medo da punição.

Pena de morte? Não se sabe... Mas se houvesse pena de morte para tipos de crimes como assassinato a sangue frio, estupros, seqüestros, e outros crimes hediondos, é lógico que antes de se executar esses crimes, se pensaria na punição e, talvez, o medo de ser castigado, fizesse esse futuro infrator pensar duas vezes...

É fato que nos Estados Unidos há pena de morte em alguns Estados e o índice de criminologia ainda é alto, assim mesmo.

Mas, por ser um país de dimensões enormes, talvez esses índices estejam fora da realidade.

Aqui também acontece isso.

Por sermos um país também grande, a criminologia fica escondida nos arquivos das polícias locais e não se tem a idéia real do grande índice de crimes havidos e realizados por todo território nacional.

É hora de rever as Leis. É hora de se mudar a impunidade. Tem-se que colocar bandidos na cadeia independente da idade.

Menores de dezoito anos que matam e fica provado que matam sem piedade, com perversidade, devem ficar presos após completar dezoito anos. Isto tem que constar nas leis. Nos estatutos do menor não pode haver essa contemplação. Tem que haver rigor para o menor infrator. Chega de protecionismo para o menor infrator, delinqüente, assassino, estuprador e seqüestrador.

Aí se diz que eles não sabem o que fazem ainda por ser menores. Não sabem? Será que na hora de adquirir uma pistola, um fuzil, um revólver, não sabem para que as armas servem? Será que não tiveram o mínimo de esclarecimento de que usá-las é crime? E que usá-las em pessoas, matando-as, não é crime ainda maior?... Qualquer garoto de dez anos sabe disso... E um rapaz de dezesseis anos não sabe? Impossível não saber!

Nossos governantes é que têm de ser mais atuantes e se unirem nessa finalidade. Mudar as leis para melhor e mais justas!

Não é o desarmamento que vai evitar o derramamento de sangue inocente. É a consciência de quem segura uma arma na mão. E como bandido não tem consciência...

A violência aumenta dia-a-dia, é notório. A violência abrange todos os setores da sociedade. Seja branco seja preto, seja novo seja velho, seja rico seja pobre, seja bom seja mal, seja em casa seja na rua, seja na família ou fora dela, seja, enfim, onde for, a violência está presente. O desamor cresce em torno de nós, em torno de nossa família. Nossos amigos, nossos vizinhos.

São filhos que roubam pais, matam... Netos que roubam e matam avós, tios, irmãos, filhos, primos. Toda gama familiar está envolvida com algum tipo de agressão.

Essas violências em casa, geralmente é fruto de desentendimento, descaso, humilhação, desunião, falta de educação, despreparo, desigualdade, falta de posse, desemprego, fome e outras inúmeras formas de se levar as pessoas à violência.

Já foi falado aqui sobre as drogas, que levam os adolescentes a saquear sua casa, roubar seus pais ou avós para alimentar o vício. Essas atrocidades poderiam ser evitadas, ou pelo menos diminuídas, se houvesse diálogo e muito esclarecimento no seio familiar.

O menor infrator é, muitas vezes, fruto de desassociações de valores em casa. Levados ao crime por vingança contra a opressão dos pais, descontentamento ou simplesmente por uma opção de liberdade ao se sentir sufocado por seus familiares, ou ainda outro caso qualquer, sempre ligado à família.

A violência está aumentando dia a dia em todos os setores da sociedade. Não podemos dizer que seja privilégio dos pobres. A violência está associada a todas as classes e ramificações da sociedade. E não é de hoje. Desde há muito tempo, já se via violências cometidas no meio da elite social.

Crimes bárbaros aconteceram através do tempo no meio de famílias ricas.

Sejam européias, americanas, asiáticas ou de outro continente qualquer, as camadas mais ricas da sociedade sempre conviveram com a violência incrustadas em seu meio e no meio de suas famílias e de todas as classes.

O desrespeito aos mais velhos, a brutalidade exercida por pais aos filhos. Suas maneiras de criação a base de chicote e palmatória sempre foram exercidas através do tempo.

Dir-se-ia daquela época, um velho pai sobre sua força ao criar seu filho. “Meu filho é o que é hoje, um homem de bem, respeitador, graças a mim por saber criá-lo. Ali... no cabresto. Errou, foi castigado para aprender!”

É, pode ser verdade. E de fato, o é: muitos que tiveram uma criação rígida, rigorosa por parte de seus pais, realmente se tornaram homens de bem.

Mas isso já está ultrapassado. A criação moderna não permite que se maltrate o filho para lhe impor condições de vida.

Um pai sábio, tranqüilo, sabedor dos valores da vida, não precisa impor, ordenar, basta saber conversar e mostrar o lado bom e o lado mau. Fazer o filho entender que o lado bom é o melhor a seguir. Mostrar para ele as recompensas que se pode ter sendo bom. Mostrar, também, as penas, os castigos, as adversidades que se possa adquirir por ser mau.

Isto é, que a criança aprenda a valorizar o lado bom e banalizar o lado mau.

São essas diretrizes que deixam, muitas vezes, de ser passadas de pais para filhos, através de ensinamentos, diálogos, conversas francas e amigáveis.

E quando se é filho de um pai ou uma mãe que já têm má índole, aí fica mais difícil ainda, já que esta criança possa aprender os ensinamentos dos pais.

Muitos filhos seguem os exemplos adquiridos dos pais: se são bons eles o serão, se são maus eles também o serão.

Mas nem sempre é assim, e graças a Deus que não é.

Muitos filhos de bandidos são bons e continuam bons, independente da má índole do pai ou da mãe. São os de caráter próprio. Aqueles que aprendem, mesmo apanhando, o lado do bem.

Muitos deles repudiam os pais por suas ações e os condenam por isso. Embora não os possa reeducá-los. São meninos e meninas que não se deixam envolvem com drogas por conhecer até por conviver no meio, os efeitos daninhos das mesmas.

Embora também aconteça ao contrário, ou seja, muitos bons pais tentam trazer os filhos de volta para o bom caminho, e às vezes, sem o conseguir, não quer dizer que a culpa recaia em ambos. Muitas vezes é culpa da própria circunstância de vida que ambos levam: desemprego, falta de condições, moradias precárias em locais horríveis como favelas em morros, onde só a miséria persiste em acompanhá-los. Frutos de uma sociedade desigual e renda mal dividida. Uns com tanto e outros com tão pouco - e os sem nada, que vivem à margem dessa sociedade: os mendigos, meninos de rua, desocupados e desamparados.

São essas diretrizes que regem a violência em um país caracteristicamente de paz como o nosso. Um país rico na terra, no ar, no mar e em qualquer outro sentido que se possa imaginar. Tudo que se planta dá, como já foi dito há centenas de anos, como se sabe. Rico em vegetação, seja florestais, frutíferas e medicinais. Rico também em minerais. Enormes jazidas de ouro, pedras preciosas, ferro, petróleo, carvão etc.

Como a desigualdade pode existir nesse país?

Porque não interessa a alguns poderosos e estes mesmos forjaram as leis em seus benefícios, gerando proteção em torno de si - basta ver as leis que fornecem imunidade a certas categorias.

E, pensando bem, a violência também está incrustada no meio daqueles que nos governam. Há nesse meio os que nos exploram, demonstrando assim que essa violência está acobertada pela mão poderosa e monstra da ambição e do egoísmo de alguns que por dever e obrigação deveriam defender e zelar por nossos interesses.

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    *Continua


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