A VIDA QUE É UMA NOVELA
Há nas emissoras de televisão um grande interesse pelo público, é claro.
Cada uma tentando se colocar no primeiríssimo lugar em audiência.
Não precisa se dizer quem é que está sempre - ou quase sempre - em primeiro lugar...
Há no público um interesse diversificado pela programação. Mas o que bate mesmo o recorde de todos os horários são as novelas.
O futebol é outro líder de competição, seja nas quartas à noite ou domingos a tarde.
Os filmes, dependendo da produção de cada um, têm seu público.
O fato é que as novelas estão sempre por cima. E não é só no canal preferido, não. Há nos outros concorrentes novelas de alto nível.
Na BAND, por exemplo, Dance Dance Dance - depois do Jornal da Band - está a cada dia melhor. E é uma novela moderníssima que caiu no gosto dos jovens, especialmente daqueles que adoram dançar. São músicas frenéticas e arrojadas que fazem a diferença, atingindo em cheio o gosto do adolescente, resgatando assim, quem sabe, o interesse por ritmos melódicos e menos recentes - como o rock. Seu enredo, apesar de corriqueiro, é forte e prende a atenção do telespectador.
Há ainda as novelas da Record e SBT, igualmente boas.
Porém, na vida real, há a velha e triste novela que somos obrigados a assistir todos os dias sem ao menos poder opinar ou ser contra sua exibição.
É a novela dos impostos; dos reajustes injustos do salário mínimo; a inflação imbutida; da briga entre os partidos políticos - cada um querendo a maior fatia e mandar mais; as inúmeras CPIs (e agora a do cartão corporativo) que não levam a quase nada; a violência e outras tantas coisas que já conhecemos...
O salário mínimo, já tão devassado e debatido, mais uma vez fica por baixo. Nunca tem um aumento real. Iria para R$ 412,00. Aí, o presidente arredondou para R$ 415,00... três míseros reais. E ninguém mexe!...
No ano de 1998, por exemplo, quem se aposentou com salário integral e ganhava dez salários mínimos, hoje não recebe mais de cinco. Isso representa, passados dez anos, uma perda da metade!... Significa com isto que o reajuste de lá pra cá não foi correto, houve uma perda de 50%. Significa também, que daqui há mais dez anos esse salário estará a zero ou quase isso.
E o governo divulga a largos panos o balanço econômico anual, citando as exportações e suas margens de lucro, o que foi dito pelo próprio presidente - e isto em programas de reportagem de audiência nacional de TVs - que a dívida externa já teria ido para o espaço, que já teria sido ultrapassada por esses valores.
Aí vemos tanta fartura na economia... nos cofres do governo...
Olhamos para trás e vemos também que tanta gente (pobre, é claro) já morreu na fila de espera de um hospital por um transplante, uma operação, um remédio, ou um simples atendimento emergencial, esperando em corredores, em leitos improvisados pelo chão...
Cadê a divisão de renda?
Cadê os investimentos em saúde, educação, emprego, segurança, desenvolvimento urbano, pavimentação, iluminação etc?
Reforma tributária...
O que adianta reforma que só prejudica o pobre? É... o repasse...
Pois é... Este é mais um capítulo da novela da vida...
- .................................................................................................................................................................................
*João Manoel
Capa | Topo
|