“Zoom in Zoom out” – um filme crônico impresso num livro
Certa vez, perguntaram para um cego: “como é o vermelho?”
E ele respondeu: “como o toque dos clarins”.
Algumas pessoas consideradas inexperientes são, na verdade, as que mais conhecem a natureza das coisas. Jane Austen, por exemplo, em sua exuberante juventude, escreveu clássicos que exortam o poder da alma feminina e as hipocrisias de sua época – tudo isso sem se casar ou sair de casa. Nunca amou, nunca beijou? Sim, mas ela sabe descrever o beijo, a sensação, o carinho e a paixão.
Paula Wenke, em seu livro multimídia “Zoom In Zoom Out”, lançado pela editora Personal, propõe através de pequenos e longos lampejos poético, o “close up” e o “plano geral” de personagens e situações pra lá de interessantes e denota conhecer profundamente certos acasos, certas paixões (platônicas, claro!) e certos credos... Mas isso me deixa confuso! Em sua vida particular, Paula não é mulher de acasos, é mulher de luta. Não é mulher de paixões, é mulher de desejos (no caso dela, sempre viram realidade), não é mulher de credos, é mulher de realizações. Dizem que os poetas como os cegos podem ver na escuridão. Mas Paula nunca viveu na escuridão. Ela sempre transformou pequenas migalhas em ouro, deu oportunidade a artistas, traçou metas para ela e para os outros, promoveu o bem estar social e se dedicou aos seus projetos com corpo, alma e coração.
A mulher que sofre no livro não é Paula Wenke. É sua picardia manifestada num corpo feminino. Seu poema "neura" ainda está bem fresco em minha memória. Neste texto, a autora zomba daqueles homens idiotas que amam, mas que não sabem dar valor à mulher que tem. E para isso, ela veste a personagem de mulher que nunca foi... a mulher traída, que chora, que teme... essa personagem nos faz rir e refletir. Se essa minha crítica fizer você pensar que Paula não é humana, faço questão de me desculpar. Ela é humana sim. E sua humanidade está nisso – no poder de sofrer por alguns segundos e rir (ou refletir) por horas. Ela não tem inimigos, tem colaboradores de suas comédias. Ela não tem problemas, tem risadas com os amigos. Paula não explica, ela transforma. Paula tem o poder de abduzir o vermelho e transformar em toques dos clarins... Paula pode não mostrar como as coisas funcionam, mas ela mostra o resultado, fria e calculista, quase beirando a insensatez. Ela trabalha dia e noite, é obcecada, mas o sorriso, seu fiel companheiro, nunca a abandona. Esta sempre com ela, seja na ponta do lápis, ou no alto da Torre Eiffel.
Seu livro está lindo, colorido, feminino impactante, mas sem afetações, sem crendices cor-de-rosa. Ali está estampada a sua marca, a marca de uma mulher madura que já experimentou o mundo e dele tirou grandes conclusões. Nesse mundo, não há fascínio. Há verdades! Paula não está em condições de mentir para si nem para os outros... ela sabe que o relógio corre para todos e que cedo ou tarde, saberemos que o príncipe encantado, a donzela dos castelos e os bichos-papões da vida, não passam de literatura infantil. “Ria de todos!”, ela dirá, “e sente-se e escreva uma peça, componha uma canção, escreva um soneto...”. E eu complementarei: não tenha tempo para reclamar, transforme as reclamações num livro. Goze essa (desta) vida mesquinha como a Paula Wenke gosta de fazer e pegue sua câmera, filme as pessoas, e coloque tudo isso no filme de sua vida.
“Zoom In Zoom Out” é a panorâmica e o close up de quem sorri diante da maldade e do medo. Neste livro, crônico (e poetico) a autora ensina direitinho como filmar a vida e traduzi-la em fenômenos. Compre-o e enlouqueça! |