ANIMA MUNDI
Ando sem ânimo para escrever. Detesto ficar bancando a abissal e insistir discutindo os caracteres da metafísica à luz da visão de Nietsche. (deve estar grafado errado o nome do gajo, mas alemão tem consoante demais para o meu gosto)
Gosto mesmo é de rir, achar graça, de sacanagem, de coisa divertida. Não aguento depressão, a começar pela minha própria. É, ando deprê mesmo, e, se você perguntar por quê, é claro que não vou saber responder, pois, se soubesse a causa, já tinha dado um jeito nisso.
Não sei se conseguirei produzir algo que valha a pena ser lido. Sou exigente demais com os meus textos, as regências verbais, nominais, o sujeito, o predicado, todos os complementos nominais e adjuntos adnominais precedidos de "de", etc.
Sou barroca: ora no sentido do deboche, de um Gregório de Matos; ora no sentido da angústia expressa no conceptismo dos meus textos, nos quais se esconde o ser atormentado pela finitude da vida, esmagado diante da onipotência das autoridades. No barroco era a Igreja Católica e Torquemada a queimar vivo quem dele ou dela discordava. No século 21 (eu detesto número romano) é estar impotente face à impunidade que grassa neste país, absolutamente desgovernado, à deriva de qualquer possibilidade de resgate.
"Isso também passará", já disseram os sábios quando Alexandre, o Grande voltou vitorioso, como o maior herói da Terra e pediu-lhes que expressassem um pensamento que poderia ser utilizado em qualquer situação. Sábios sabidos aqueles!
Como você pode constatar, escrever não é um problema: é uma solução... e eu nem me chamo Conceição. Detesto rima pobre. Aliás, detesto pobreza, não a material, mas a de espírito, a de princípios, a de vergonha na cara. Estou precisando de um tempo para achar a minha veia histriônica, que deve ter sido perdida em algum armário da minha memória.
Qualquer hora a gente se vê. Ou escreve... |