Buracos
Acreditanto tratar-se de tema complexo, um cronista, refletindo sobre mulheres, quer saber quem, entre a “santinha” – que resolve, discretamente, abrir-se para outros homens - e a “galinha” - que dá sem cerimônia - , é a puta. Sua pergunta é já uma afirmação (preconceituosa): mulher que vai atrás dos seus desejos é, em qualquer circunstância, puta.
A questão deveria ser outra. Por que agem assim as mulheres? Há uma resposta simples - bem mais simples do que o raciocínio simplista do cronista. Mulher é como vinho: azeda por falta de rolha. Danem-se as feministas e o machismo aparente da frase. Mulheres têm pavor de azedar. Ao primeiro sinal de que isso possa acontecer, agem. A puta está buscando; a mal amada, esperando. Antes dada do que mal amada. Ou não? Que ofensa toca mais profundamente uma mulher? Se puta a ofende, mal amada a deprime. Mas a ofensa, ignora-se; a depressão, sente-se e, por causa dela, sofre-se.
Ao darem, as mulheres - certinhas ou nem tanto – dão prova de inteligência. Admitem que têm desejo e que gostam de ser preenchidas. Sabem que têm espaço para isso... E reconhecer que só um homem pode dar este prazer é sinal de esperteza. Vibrador é coisa de mulher frustrada e amarga. Mulher não é igual a homem, nunca foi, nem e nunca vai ser. Mulher tem buraco entre as pernas. E o buraco serve para quê? Para passar filho e sangue? A passagem do filho é consequência da enfiada anterior – ou então não haveria filho nem por inseminação, nem por fertilização, nem pela mais simples e comum relação sexual. É por ali que entra o que depois vai sair – portanto não é uma finalidade de expulsão apenas. E quanto ao sangue... é justamente quando ele sai que o homem pode – e deve – entrar, simplesmente para dar satisfação à mulher, sem risco de procriar.
Para os que creem que a busca pelo prazer transforma as mulheres em putas, é preciso mudar o ponto de vista e descobrir que o buraco é mais em baixo. |