NAQUELE SETEMBRO
[para Benedito, meu irmão]
Naquele setembro triste
Que outrora era desejo
O amor veio bater à porta
Com suas asas abertas
A envolveu em um abraço
e a levou para sempre!
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Doente
Me nego. Renego.
Busco um elo que se quebre.
Não quebro. Requebro.
Numa dança espiróide.
Decerto, esnobe.
Sou forte. Um taco.
Um naco. Fraco.
Pau de dar em doido.
Um louco. Faminto.
Partido em dois.
Nos corredores de um hospital.
Descanso.
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Pai
Pai
Fulano
Sicrano ou beltrano
Todos em mim
De manhã ao pôr-do-sol
Só pra entender a mente
Entediada de um filho adolescente.
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(sem título)
um palmo
abaixo
trêmulo
em riste
meu dedo
define
o medo
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vou ficar mais um tempinho aqui
neste meu lugar sadio
de tristezas efêmeras e desejos que é.
da vontade absoluta de ser:
imorredoura.
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Quisera eu
(para minha amiga B@by)
Quisera eu me expressar em palavras
e agindo assim me fazer entender.
O amor que trago aqui dentro
Só sentindo...
Quisera eu cantá-lo baixinho
E agindo assim te fazer compreender.
O amor que eu trago aqui dentro
Só sentindo...
Quisera eu que através da alquimia
ou da astrologia o pudesse dizer.
Mas o amor que eu trago aqui dentro
Só sentindo...
Quisera eu que a arte ou a magia
Ou mesmo a poesia te fizesse crer.
Mas o amor que eu trago aqui dentro
Só sentindo...
Quisera eu ri-me sozinho e dos meus lábios
desmistificar os lábios teus e reinventar o beijo.
Porque o amor que trago aqui dentro
Só sentindo...
Quisera eu afagar-me em teu ventre
e navegar por mares remotos e poros que não os vejo.
Porque o amor que trago aqui dentro
Só sentindo...
Quisera eu andar descalço devagarinho
sentindo o aroma concupiscente de tua aura
O amor que trago aqui dentro
Só sentindo...
Quisera eu encontrar vestígios de um amor ardente
e fazer entender que somos carne e alma
O amor que trago aqui dentro
Só sentindo...
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Desiguais
Não me venha com essa lábia
De que somos um do outro e coisa e tal.
Não vou rastejar meus brios
Nos teus seios jubilares de pouco sal.
Não precisa descer do pedestal
E vir sugar meus sentimentos vis.
Nem somos tão parecidos assim
Você é alta demais pra mim
E eu não tenho receita de amor perfeito
Você gosta de cavalgar seu alazão garboso
Enquanto eu perco meus medos
Remoendo o último juramento desfeito
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Guerra de Sangue
Eu salvaria sua vida
se a mim ela valesse
um punhado de dor.
Eu regaria uma flor
solta no meu jardim
se danina fosse a flor.
Eu tentaria acordar cedo
se o trabalho fosse digno
e um amor tivesse tido
Não sou Deus nessa terra
de desprezo e mutilados.
Sou apenas um humano
alma e peito dilacerados.
Não há chance nessa guerra
de sangue dos condenados.
Rogaremos que nos tire, Deus
doutros sonhos conturbados.
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... E então

E então, como explicar,
que o amor chegue ao ponto de agendar
um encontro, sem ninguém para encontrar?
Ponha-se no meu lugar,
dê asas ao seu instinto,
pois até o conformismo pode ser jeito de amar.
E então, como entender
que o amor chegue a ponto de querer
um acordo, sem ninguém para ceder?
Ponho-me no seu lugar
e deixo o sonho me conter
pois até a fantasia pode ser jeito de amar.
E então, como medir
Que o amor chegue a ponto de pedir
Um desfecho, sem ninguém para intervir?
Ponha-nos noutro lugar
E nos dêem chance de seguir
Pois até o ocasional pode ser jeito de amar.
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Caminhos Distintos
Não sei se devo, mas seguirei sozinho,
nessa trilha que outrora escolhi.
Mas, no caso de me ver escorregar,
e, por caridade, queira me levantar,
receio, não aceitá-la em meu caminho.
Pode ser que seja você o meu romance
ou meu ninho de verdade semântica.
Não serei eu uma teoria romântica,
de querer-te bem longe do meu alcance?
Ah! Mas iludir a mim mesmo já não posso:
crer que esse caminho é meu, e não nosso.
E, desejar plumas numa estrada só de pua.
Não rejeitar a loucura de ser dois em um
No risco de perambular por lugar algum
Eu prevejo a razão de paridade tua.
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Destino
Uma cigana contou
que tudo era lindo
Você teve medo
então se esquivou
Procurei te guardar
acabei fugindo
e, sem querer,
nós dois nos
destruímos.
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Dicotomia
O que há de errado
Nessa dicotomia de amar?
Ora me toma nos braços
Ora me empurra pra lá.
O que há de errado
Nesse nefasto querer?
Ora me esnoba de jeito
Ora me ensina a viver!
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Francci Lunguinho é editor do Crônicas Cariocas
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